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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Condições do Hijab

Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso

Como é o Hijab correto de uma mulher muçulmana? Porque é que ela tem que o usar? E como é que tem que o usar?

“Ó Profeta! Diz às tuas mulheres e às tuas filhas e às mulheres dos crentes que cubram com as suas vestes (Jilbab) todos os seus corpos. Isso é mais adequado, para que sejam reconhecidas (como muçulmanas respeitáveis) e não sejam molestadas. E Allah é Perdoador, Misericordiador.” [33:59]

A razão pela qual as mulheres se devem cobrir é claramente para proteção e reconhecimento, como Allah o mencionou no verso acima. E no verso a seguir do Qur'an é claro em frente de quem é que elas têm que se cobrir.

“E diz às crentes que baixem o olhar e protejam as suas partes privadas e não mostrem os seus ornamentos (corporais e artificiais) – excepto o que deles aparece [rosto e mãos, de acordo com algumas opiniões, e tudo menos uma abertura para os olhos, de acordo com outras opiniões dos sábios] – e que estendam os seus véus sobre os seus pescoços e decotes. E não mostrem os seus ornamentos senão aos seus maridos ou aos seus pais ou aos pais dos seus maridos ou aos seus filhos ou aos filhos dos seus maridos ou aos seus irmãos ou aos filhos dos seus irmãos ou aos filhos das suas irmãs ou às suas mulheres (crentes, parentes ou amigas) ou aos escravos que elas possuem ou aos servos domésticos, dentre os homens idosos privados de desejo, ou às crianças que não prestam atenção, ainda, às partes pudendas das mulheres. E que elas não batam, com os pés no chão, para que se conheça o que escondem de ornamentos. E voltai-vos, todos, arrependidos, para Allah, ó crentes, na esperança de serdes bem-aventurados!” [24:31]

Definição e Descrição do hijab

O Hijab é definido como a vestimenta com a qual a mulher se cobre, escondendo as roupas normais usadas em casa, cobrindo-se desde a cabeça até aos pés, escondendo também a forma do seu corpo.

hijab foi mencionado no ayah (verso) 33:59 acima. Este ayah ordena as muçulmanas a vestir os seus hijab quando estão em frente a pessoas que não são mahram (que não sejam as permitidas no verso 24:31).

Como os Salaf (Companheiros e os precedentes) e outros Sábios definiram o hijab

Ibn Mas'ud disse: 

“O Jilbab é aquele tecido de roupa que é usado por cima do véu.”

Ibn 'Abbas disse, para descrição do hijab, que

“é para ser totalmente embrulhado à volta do corpo da mulher, para nada aparecer a não ser um olho para ver o caminho.” [Tafsir Ibn Kathir]

Al-Qurtubi definiu-o como sendo

“a roupa que cobre todo o corpo...”

Ibn Al-Hazm disse:

"A palavra 'hijab' significa o tecido que cobre o corpo inteiro. Um tecido mais pequeno que aquele que cobriria todo o corpo, não pode ser categorizado como hijab". [Al-Muhalla, Vol 3. P. 217]

Muhammad Ibn Sirin disse:

“Quando eu perguntei a Ubaida Ibn Sufian Ibn Al-Harith o significado deste verso e como o hijab devia ser, ele demonstrou-o para mim puxando um tecido por cima da sua cabeça cobrindo todo o seu corpo, deixando o olho esquerdo por cobrir. Isto estava também na explicação da palavra 'Alaihinna neste verso.” [Comentário por Ibn Jarir e Ahkam-ul-Qur'an, Vol. III, p.457]

Umm Salamah narrou:

"Quando o verso 'que cubram com as suas vestes (Jalabib, pl. de hijab) todos os seus corpos' foi revelado, as mulheres dos Ansar vieram para fora como se tivessem corvos por cima das suas cabeças por estarem a usar as suas vestes."

Al-Qurtubi, explica:

“As mulheres no passado (isto é, antes dos versos sobre cobrir serem revelados) costumavam cobrir as cabeças com o Khimar; atirando as pontas por cima das costas. Isto deixava o pescoço e a parte de cima do peito descobertos, como as cristãs. Depois, Allah ordenou-as a cobrir essas partes com o Khimar.”

Logo, o Khimar tem que cobrir não só o cabelo, mas o pescoço, os ombros e o peito.

Deus diz no Qur'an:

“E que elas não batam com os pés no chão, para que se conheça o que escondem de ornamentos.” [24:31]

As mulheres no tempo da Jahiliah (época pré-islâmica) usavam pulseiras nos tornozelos que eram usadas para chamar a atenção batendo com os pés e fazendo com que as pulseiras fizessem barulho. Isto mostra que esta prática (de procurar atenção fazendo barulho com os pés) é proibida por Allah e também que as pernas e tornozelos devem ser cobertas.

Sobre os pés, isto é clarificado no seguinte Hadith por Ibn 'Umar que narrou:

O Mensageiro de Allah (sallAllahu 'alayhi wa sallam) disse: “No Dia da Ressurreição, Allah não vai olhar para o homem que faz o seu vestuário longo, mostrando orgulho". Umm Salamah então perguntou: "O que é que as mulheres devem fazer com o barulho do seu vestuário?". Ele disse: "Elas que cubram com um comprimento a mais de uma mão". Ela disse: "Os pés delas estariam descobertos!". Ele (sallAllahu 'alayhi wa sallam) disse depois: "Elas que cubram com um comprimento a mais de um ante-braço, mas nada mais que isso." [At-Tabarani]

Segundo este Hadith é claro que a vestimenta usada em frente de não mahrams deve cobrir o corpo inteiro, incluindo os pés.

Assim, das provas acima do Qur'an, da Sunnah e as explicações dos predecessores desta Ummah, podemos concluir que um Jilbab (ou vestimenta que segue as condições do Hijab) deve ser usado por uma mulher muçulmana, por cima das roupas que costuma vestir dentro de casa, quando um não mahram está presente. E estas evidências provam que estar com um véu e roupas consideradas “normais” simplesmente não é suficiente.

Vestimentas tais como abayas ou outras que cumpram as condições do Hijab podem ser usadas quando na presença de não mahrams.

O Jilbab deve ser suficientemente espesso e solto.

O Jilbab deve ser de tecido espesso e opaco, não mostrando a cor da pele, e solto o suficiente, não revelando a forma e o tamanho do corpo da mulher.

Encontramos um severo aviso contra usar roupa transparente ou justa ao corpo no Hadith:

Narrado por Abu Huraira: O Mensageiro de Allah (sallAllahu 'alayhi wa sallam) disse: "Não serei testemunha de dois tipos de pessoas que estão destinadas ao fogo: pessoas com chicotes, como as caudas das vacas, que batem no povo (isto é, tiranos que são inimigos do seu próprio povo) e mulheres que, mesmo vestidas, estão nuas seduzindo e sendo seduzidas, o seu cabelo como as bossas de camelos. Estes não entrarão no Paraíso nem a fragrância deste lhes chegará. E a fragrância chega a uma grande distância." [Muslim]

Os sábios interpretaram o que o Profeta (sallAllahu 'alayhi wa sallam) mencionou “mesmo vestidas, estão nuas” como sendo a mulher que usa roupa que não cobre o corpo de maneira correta.

Al-Qurtubi relata uma narração de 'Aisha em que algumas mulheres de Banu Tamim vieram vê-la, usando roupa transparente. 'Aisha disse-lhes:

“Se são crentes, estas não são as roupas das crentes”.

Mais uma prova de que o Jilbab deve ser suficientemente solto e de tecido espesso é encontrada no seguinte Hadith de Usamah Ibn Zaid que disse:

“O Mensageiro de Allah (sallAllahu 'alayhi wa sallam) deu-me uma roupa copta, um presente que ele recebeu de Dahia Al-Kalbi, e eu dei à minha esposa. Depois o Profeta (sallAllahu 'alayhi wa sallam) perguntou-me: 'Porque é que não usaste a roupa copta?'. Eu respondi: “Ofereci-a à minha esposa'. O Profeta (sallAllahu 'alayhi wa sallam) disse: 'Diz-lhe para usar roupa espessa por baixo dela (da roupa copta) porque temo que possa descrever o tamanho dos seus membros.” [Narrado por Ahmad, Al-Baihaqi e Al-Hakim]

Então, disto tudo, podemos concluir que uma vestimenta justa ao corpo ou calças jeans (por exemplo) que podem, no entanto, cobrir a cor da pele, não são um Hijab aceitável porque revelam o tamanho e a forma do corpo. Adicionalmente, um Jilbab que é suficientemente solto, mas é transparente, também seria rejeitado como Hijab porque não é opaco e espesso e revelaria a cor da pele da mulher.

A cor e o design não devem ser atrativos

O Hijab deve resguardar a mulher e a sua beleza do público e não deve ser algo que a exponha e a torne ainda mais bonita, chamando a atenção. Logo, o Jilbab não deverá ter cores muito fortes e decoradas que chamem a atenção, nem um tecido brilhante ou reflectivo que chame a atenção do sexo oposto.

A prova para isto é o que Allah diz:

“...e não façais exibição dos vossos encantos como a exibição dos Tempos da Ignorância (anteriores à vinda do Islam)...” [33:33]

O Mensageiro de Allah ? disse: “Não proíbam as mulheres servas de Allah de irem às mesquitas de Allah, mas deixem-nas ir sem adornos.” [Abu Dawud]

Logo, a mulher muçulmana é encorajada a usar cores suaves e sóbrias e a evitar Jalabib com designs chamativos, imagens, cores fortes ou qualquer outra coisa que chame a atenção. E o Jilbab não deve ser usado com jóias e/ou perfume. Muitas mulheres usam preto, não porque é obrigatório, mas porque é a cor considerada como mais sóbria e a que é menos usada como adorno.

O Hadith seguinte explica como as mulheres dos Sahabah (Companehiros do Profeta ?) costumavam usar preto: 'Aisha disse: “Depois deste verso (Al-Ahzab, 33:33) ser revelado, as mulheres dos Ansar apareceram como corvos.” [Abu Dawud]

Os sábios interpretaram que “apareceram como corvos” significa que os Jalabib delas eram pretos e sem design.

Também, vestes que seriam consideradas extravagantes de high status ou usadas para afirmar uma posição importante em termos financeiros devem ser evitadas de acordo com o que o Mensageiro de Allah ? disse: “Aquele que vestir roupas extravagantes neste mundo vestirá roupas humilhantes no Dia do Julgamento”. [Ahmad, Abu Dawud]

Não deve ser como a roupa masculina

O Mensageiro de Allah ? disse: “Allah amaldiçoa os homens que imitam as mulheres e Ele amaldiçoa as mulheres que imitam os homens.” [Al-Bukhari] e “O homem que se faz parecer com uma mulher e a mulher que se faz parecer com um homem não são de nós.” [Ahmad e At-Tabarani]


Deve diferir da roupa dos Kuffar (descrentes)

A roupa de um muçulmano não deve ser parecida com a roupa dos que não crêem. Isto é uma regra geral da Shari'ah que não só inclui a vestimenta deles, mas também maneiras, práticas religiosas e festivais, e outros costumes e tradições que são exclusivos aos Kuffar*.

*Nota: "Kuffar" nunca significou "infiéis"."Infiéis" era o que os cristãos chamavam, e chamam, aos que não são cristãos. "Kuffar" é o plural de "Kafir" que significa "descrente". Em nenhuma parte do Qur'an se encontra a palavra "infiel", e se alguma tradução tiver esta palavra, foi uma pobre escolha de palavras.

'Abdullah Ibn 'Amr Ibn Al-'As disse: O Mensageiro de Allah ? viu-me usar duas vestimentas de cor de açafrão, e disse: “De fato, estas são as roupas dos Kuffar, então não as uses”. [Muslim]

O Mensageiro de Allah ? disse: “Quem se parecer com um grupo de pessoas é um deles”. [Abu Dawud]

Por isso, uma mulher muçulmana não se deve parecer com uma freira, por exemplo, em relação à vestimenta, mesmo se a roupa for apropriadamente longa, espessa e solta.

Esperemos que este artigo tenha esclarecido algumas dúvidas, orientado a irmã que quer começar a usar hijab, ou corrigido alguma prática da irmã com boas intenções perante Allah.

Fonte: O Islam

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O Namoro no Islam

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Em nome de Allah, O clemente, O Misericordioso. 

🌼"Dize às crentes que recatam seus olhares, conservem seus pudores e não mostrem seus atrativos, além dos que (normalmente) aparecem; que cubram o peito com seus véus e não mostrem seus atrativos a não ser a seus esposos, seus pais, seus sogros, seus filhos, seus enteados, seus irmãos, seus sobrinhos, às suas mulheres, suas servas, seus criados livres das necessidades físicas ou crianças que não discernem sobre a nudez das mulheres; que não agitem seus pés para que chamem a atenção sobre seus atrativos ocultos. Ó crentes, voltai-vos todos, arrependidos, a Deus, a fim de que vos salveis" {Alcorão Sagrado: 24ª - 31}🌹

🧔🏻 O Namoro No Islam

📚 Uma das perguntas mais comuns que os jovens me fazem é: "Os muçulmanos namoram?" e "Se eles não namoram, como podem decidir com quem se casar?"☘

🌹O "namoro", como é praticado atualmente na maior parte do mundo-onde um rapaz e uma moça mantêm relações íntimas, passam o tempo juntos sem a presença de outros, "conhecem um ao outro" de uma forma mais aprofundada, antes de se decidirem se é a pessoa certa para casar - não existe entre os muçulmanos. No Islam, ao contrário, são proibidas as relações pré-conjugais de qualquer espécie entre pessoas de sexos diferentes.🌷

🌹 A escolha do parceiro para casar é uma das decisões mais importantes que alguém pode tomar na vida. Não pode ser feita precipitadamente nem ser deixada por conta do acaso ou dos hormônios. Deve ser uma decisão séria como qualquer outra decisão importante na vida, com orações, pesquisa cuidadosa e o envolvimento da família.🍂

💐 Portanto, como é que, no mundo de hoje, os jovens fazem? Antes de mais nada, o jovem muçulmano estabelece amizades muito próximas com companheiros do mesmo sexo. Esta fraternidade, feminina ou masculina, que se desenvolve quando eles ainda são jovens, continua pelo resto de suas vidas. Quando um jovem decide casar-se, deve adotar os seguintes passos:🌼

🌱 O jovem faz duaa para pedir que Deus o ajude a encontrar a pessoa certa.🍃

🌺 A família informa-se, discute e sugere pretendentes. Eles se consultam para reduzir as perspectivas em potencial. Normalmente o pai ou a mãe se aproxima da outra família para sugerir um encontro.🌸

🌷 O casal concorda com um encontro acompanhado, em ambiente aberto. 'Omar narrou que o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) disse: "Ninguém deve se encontrar com uma mulher sozinho, a menos que ela esteja acompanhada por um parente (mahram)" (Bukhari/Muslim). O Profeta (que a paz esteja com ele) também disse: "Sempre que um homem estiver sozinho com uma mulher, Satanás (Shaytan) será a terceira pessoa entre eles." (Tirmizi).🎋

🌴 Quando os jovens se encontram para se conhecerem, estar sozinhos é uma tentação para a coisa errada. A todo momento, os muçulmanos devem seguir os mandamentos do Alcorão (24:30-31) para "baixar os olhos e guardar a modéstia.☘

O Islam reconhece que somos humanos e que temos fraquezas humanas, portanto esta norma nos protege em nosso próprio benefício. a família pesquisa o futuro candidato, fala com amigos, família, líderes islâmicos, etc... para saber mais a respeito do caráter dele ou dela.🌱

🌼 O casal faz salat-il-istikhara (oração para orientação) para pedir a ajuda de Deus na tomada de decisão. o casal concorda com o casamento. O Islam deu liberdade de escolha tanto para o homem como para a mulher, eles não podem ser forçados a casar se não o quiserem.🌹

🌺 O tipo de namoro aqui focalizado, ajuda a assegurar a força do casamento, baseando-se na sabedoria e orientação dos mais velhos da família nesta importante decisão da vida. O envolvimento da família na escolha do futuro cônjuge ajuda a garantir que a opção baseou-se não em conceitos românticos e sim numa avaliação cuidadosa e objetiva das afinidades do casal. Por esta razão, tais casamentos se mostram freqüentemente bem sucedidos.🌻

Irmã Muçulmana, Cuidado com o Casamento Temporário!🌼

🌿 O casamento no Islam é um laço muito forte, um contrato comprometedor, baseado na intenção de ambos os conjugues de conviverem permanentemente a fim de atingir, como indivíduos, os benefícios do repouso, do afeto e da misericórdia que estão mencionados no Alcorão, bem como para alcançar a meta social da reprodução e perpetuação da espécie humana:

🍁 ”Deus vos designou esposas de vossa espécie e delas concedeu filhos e netos e vos agraciou com todo o bem.” (16ª:72).🌻

Já no casamento temporário(ou casamento do prazer, chamado em árabe de mutaa), que é contrato por duas pessoas para durar um determinado tempo especifico em troca de um valor predeterminado de dinheiro, os propósitos acima citados do casamento não se realizam. Enquanto o Profeta (que a paz esteja com ele) permitiu casamentos temporários durante viagens ou campanhas militares antes de se completar o processo legislativo Islâmico, mais tarde ele o proibiu tornando-o ilícito para todo o sempre.

🌱 A razão de ele ter sido permitido no começo foi a de que muçulmanos estavam passando pelo que pode ser chamado de período de transição pré-Islâmico para o Islam. A fornicação era muito comum e muito difundida entre os árabes pré-Islâmicos. Após o advento do Islam, quando eles tiveram necessidade de participar de campanhas militares encontraram-se sob fortes pressões devido a ficarem longe de suas esposas por longos períodos. Entre os crentes havia alguns que eram fortes em sua fé e outros que eram fracos. Os fracos temiam serem tentados a cometer o adultério, um pecado capital e um péssimo costume, enquanto que os que eram fortes, por outro lado, estavam dispostos a se castrarem, como narrado por Ibn Mas´ud:🍄

🍃 ”Participávamos de uma expedição com o Mensageiro de Deus e não trazíamos nossas esposas conosco, portanto perguntamos ao Mensageiro de Deus : Não deveríamos nos castrar? Ele nos proibiu de fazê-lo, mas permitiu-nos de contrair matrimonio com alguma mulher contratada até certa data, dando a ela uma vestimenta como dote (mahr).” (Al-Bukhari e Muslim)🌳

💫 Desse modo, o casamento temporário proporcionou uma solução ao dilema em que tanto os fracos quanto os fortes se encontravam. Foi também um passo para a legalização definitiva da vida marital completa em que se realizariam os objetivos de permanência, castidade, reprodução, amor e misericórdia, bem como o alargamento do circulo de relacionamentos através do casamento.🌿

🌴 Podemos lembrar que o Alcorão adotou um curso gradual para a proibição de bebidas e da usura, uma vez que esses dois males eram amplamente difundidos e profundamente arraigados na sociedade pré-Islâmica. Da mesma maneira, o Profeta adotou um processo de graduação com respeito ao sexo, inicialmente permitindo o casamento temporário como um passo para afastamento da fornicação e do adultério, e ao mesmo tempo de aproximação ao relacionamento marital permanente. Mais adiante ele o proibiu completamente, como foi relatado por imam Áli(R) e muitos dos outros companheiros. Muslim relatou isto em seu Sahih, mencionando que Al-Juhani estava com o Profeta quando da conquista de Macca e que o profeta deu permissão a alguns Muçulmanos de contratarem casamentos temporários, Al-Juhani disse: Antes de deixar a Mecca o Mensageiro de Deus disse:  "Deus tornou-o ilícito até o Dia do juízo Final."🎋

🌱 Permanece a questão, portanto o casamento temporário (mutaa) é categoricamente ilícito como o casamento com a própria mãe ou filha ou é como a proibição relativa ao consume de carne suína ou carniça, que se torne permissível em caso de necessidade premente, sendo a necessidade neste caso o temor de cometer o pecado de fornicação?

🍃 A maioria dos companheiros mantinha a opinião de que após a consolidação da legislação islâmica, o casamento temporário tornou-se inteiramente ilícito. Ibn Abbas, no entanto, emitiu uma opinião diferente, permitindo-o sob premência da necessidade. Uma pessoa perguntou-lhe sobre o casamento com mulheres numa base temporária e ele permitiu a ele de fazê-lo. Um servo dele perguntou então: Isto não é só para condições de premência, quando as mulheres são poucas e outras parecidas? Ele respondeu: Sim. Mais tarde, porem, quando Ibn Abbas viu que as pessoas tinham relaxado e estavam consumando casamentos temporários sem necessidade, ele revogou seu regulamento e sua opinião. (Albukhari e Muslim)🌾

😢 Obs: O casamento temporário é um tipo de fornicação (prostituição) legalizada pelos xiitas e é praticada por eles em nome do Islam!.😲

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O STATUS DA MULHER NO ISLAM

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Deus, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
Deus, Exaltado Seja, diz: “Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Allah, é o mais temente.” (1)
É erro grave que o Islam seja acusado de algo que não faz parte dele. Dentre isso, a afirmação de não ser benevolente nem respeitar a mulher, não lhe concedendo os seus direitos, quando Allah, Exaltado Seja, diz no Alcorão Sagrado: “se as menosprezardes podereis estar depreciando seres que Allah dotou de muitas virtudes.” (2)
E diz: “Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos.” (3)
Vários pedidos pelos direitos da mulher, sua liberdade e a igualdade de gênero, foram ouvidos em todo o mundo, e muitos slogans foram feitos pelas sociedades que não são justas com ela e não lhe concedem seus direitos. A lei islâmica, por outro lado, tem estabelecido os direitos da mulher em um sistema abrangente e equilibrado de direitos humanos e obrigações muito antes de serem exigidos, desde o surgimento do Islam, e tornou esses direitos uma obrigação legal, sem tramoia. O estranho é que há quem injuria a mulher e nega-lhe os direitos. Isso acontece porque quem procede desta maneira não segue os ensinamentos islâmicos e suas elevadas orientações.
A alegada reivindicação da libertação da mulher e a exigência de seus direitos (4), giram em torno de três elementos:
1. A reivindicação da libertação da mulher. 2. A reivindicação da igualdade de direitos com os homens. 3. A reivindicação dos direitos da mulher.

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(1) Alcorão Sagrado, Surata 49:13. (2) Alcorão Sagrado, Surata 4:19. (3) Alcorão Sagrado, Surata 30:21. (4) Onde estão os seus pedidos aos direitos de quem são assassinados, expulsos de suas casas, usurpados seus bens. Onde estão os seus pedidos de mais simples direitos dos famintos e enfermos em alguns países pobres. Nós só pedimos a eles que não se tornem impedimentos perante as instituições islâmicas para cumprirem o que Deus os ordena de ajudar e oferecer a assistência sem a exigência de qualquer pagamento além de recebê-lo de Deus.

Fonte: www.islamland.com/

sábado, 16 de setembro de 2017

O ERRO DE EVA

As três religiões concordam com um fato básico: Tanto as mulheres como os homens foram criados por Deus, o Criador de todo o Universo. Contudo, a divergência começa logo após a criação do primeiro homem, Adão, e da primeira mulher, Eva. A concepção judaico-cristã da criação de Adão e Eva está narrada detalhadamente em (Gênesis, 2:4-3:24). Lá está escrito que Deus proibiu o homem de comer do fruto da árvore proibida. O Senhor Deus deu ao homem uma ordem, dizendo: "Podes comer de todas as árvores do jardim. 17 Mas, da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer". Também deu a mesma ordem à mulher. A serpente seduziu Eva para que o comesse. E a mulher respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do jardim, Deus nos disse 'não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário morrereis." A serpente replicou à mulher: "De modo algum morrereis 5 É que Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal". E Eva, por sua vez, seduziu Adão para comer com ela. (Gênesis 6) A mulher notou que era tentador comer da árvore, pois era atraente aos olhos e desejável para se alcançar inteligência. Colheu o fruto, comeu-o e deu também ao marido, que estava junto. E ele comeu. E quando Deus repreendeu Adão pelo que ele havia feito, ele colocou a culpa em Eva. (Gênesis 11) Disse-lhe Deus: "E quem te disse que estavas nu? Então, comeste da árvore, de cujo fruto te proibi?"12 E o homem disse: "A mulher que me destes por companheira, foi ela que me fez provar do fruto da árvore e eu o comi". Consequentemente, Deus disse a Eva Gênesis 16: "Multiplicarei os sofrimentos de tua gravidez. Em meio a dores darás à luz os filhos, a paixão arrastar-te-á para o marido e ele te dominará". Para Adão Ele disse (Gênesis 17) "Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa. Com fadiga tirarás dela o alimento durante toda a vida. 18 Produzirá para ti espinhos e abrolhos e tu comerás das ervas do campo. 19 Comerás o pão com o suor do rosto, até voltares à terra, de onde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar". 

O conceito islâmico da primeira criação é encontrado em muitas passagens do Alcorão, por exemplo:

"E dissemos: Ó Adão, mora tu e tua zaujah (esposa e companheira) no Paraíso e comam dele prosperamente onde lhes aprouver, e não vos aproximeis desta árvore e então sereis dos injustos." (Alcorão 2:35).

Então, Satanás sussurrou para eles, a fim de revelar a ambos o que lhes havia sido ocultado de SAUÉTIHIMÉ (suas ambas e outras igualmente presentes, invisíveis, não bons atributos) e, então, disse: "Não vos proibiu a ambos, Vosso Senhor, desta árvore senão de seres ambos convertidos em anjos ou de serem ambos dentre os imortais". E jurou-lhes que era um conselheiro sincero. Assim, a ambos, DALLÉHUMÉ (indicou a ambos em confiança, porém, com enganos, arrancando-os e enviando-os para baixo, no que intencionou). Quando ambos provaram da árvore, divisaram ambos suas SAUÉTIHIMÉ e começaram a cobrir-se com folhas do paraíso. E seu Senhor chamou a ambos: "Eu não vos havia proibido daquela árvore e dito a ambos que Satanás é vosso inimigo declarado?" Eles disseram: "Senhor Nosso. Nós injustiçamos a nós mesmos e se Tu não nos perdoares, Te apiedares de nós, certamente estaremos dentre os perdedores." (7:20:23). 

Um exame mais cuidadoso dos dois relatos sobre a Criação, revela algumas diferenças essenciais. O Alcorão, ao contrário da Bíblia, coloca a culpa igualmente em Adão e Eva pelo erro de ambos. Não há no Alcorão a mais leve sugestão de que Eva tentou Adão, ou mesmo que ela tenha comido do fruto antes dele. Eva, no Alcorão, não é insinuante, sedutora ou vencida. Além do mais, Eva não pode ser culpada pelas dores do parto. Deus, de acordo com o Alcorão, não pune ninguém pelas faltas do outro. Ambos, Adão e Eva, cometeram um pecado e então pediram a Deus o perdão, e Ele os perdoou.

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

O LEGADO DE EVA

A imagem de Eva na Bíblia, como uma mulher sedutora, teve um impacto extremamente negativo para as mulheres através da tradição judaico-cristã. Acreditava-se que todas as mulheres haviam herdado de sua mãe, a bíblica Eva, tanto a sua culpa como a sua astúcia. Consequentemente, as mulheres não eram dignas de confiança, eram moralmente inferiores e más. Menstruação, gravidez e parto eram considerados punições justas para uma culpa eterna do amaldiçoado sexo feminino.

A fim de examinarmos como foi negativo o impacto da Eva bíblica sobre sua descendência feminina, temos que olhar para os escritos de alguns do mais importantes judeus e cristãos de todos os tempos. Comecemos pelo Velho Testamento, e olhemos para alguns excertos da chamada Literatura da Sabedoria, onde encontramos: "Eu acho a mulher um pouco pior do que a morte, porque ela é uma armadilha, cujo coração é um alçapão e cujas mãos são cadeias. O homem que agrada a Deus foge dela, mas ao pecador ela o aprisionará ... enquanto eu estava procurando, e não estava encontrando, achei um homem correto entre mil, mas não encontrei uma só mulher correta entre todas elas" (Eclesiastes 7:26-28). 

Em outra parte da literatura hebraica, que é encontrada na bíblia católica, nós lemos: "Nenhuma maldade está mais próxima do que a maldade de uma mulher" ... "O pecado começa com a mulher e, graças a ela, todos nós devemos morrer". (Eclesiastes 25:19,24). 

Os rabinos judeus listaram nove maldições infligidas às mulheres, como resultado da Queda:

"Para a mulher Ele deu nove maldições e a morte: o peso do sangue da menstruação e o sangue da virgindade; o peso da gravidez; o peso do parto; o peso de educar crianças; sua cabeça é coberta como no luto; ela fura a orelha como uma escrava permanente, ou escrava que serve ao seu senhor; ela não deve ser tomada por testemunha; e depois de tudo -- a morte". (1) 

Nos dias atuais, judeus ortodoxos, em suas preces matinais diárias, recitam "Abençoado seja Deus, Rei do universo que não nos fez mulher". As mulheres, por outro lado, agradecem a Deus cada manhã por "me fazer de acordo com Tua vontade". (2) Outra oração encontrada em muitos livros de preces judeus: "Louvado seja Deus que não me criou gentio. Louvado seja Deus que não me criou mulher. Louvado seja Deus que não me criou ignorante". (3)

A Eva bíblica desempenhou um papel mais importante no Cristianismo do que no Judaísmo. Seu pecado foi a base de toda a fé cristã, porque a concepção cristã da razão da missão de Jesus Cristo na terra provém da desobediência de Eva. Ela pecou e, então, seduziu Adão para segui-la em seu propósito. Consequentemente, Deus expulsou a ambos do céu para a terra, que foi amaldiçoada por causa deles. Eles herdaram seus pecados, os quais não foram perdoados por Deus e, por isso, todos os humanos nascem em pecado. A fim de purificar os seres humanos do "pecado original", Deus teve que sacrificar, na cruz, Jesus, que é considerado o filho de Deus. Em razão disso, Eva é culpada de seu próprio pecado, do pecado de seu marido, do pecado original de toda a humanidade e da morte do Filho de Deus. Em outras palavras, uma só mulher, agindo por conta própria, causou toda a queda da humanidade (4). O que dizer sobre suas filhas? Elas são pecadoras como Eva e devem ser tratadas como tal. Ouçam o tom severo de São Paulo no Novo Testamento: Uma mulher deve aprender em calma e total submissão. Eu não permito a uma mulher ensinar ou ter autoridade sobre um homem; ela deve ser calada. Porque Adão foi feito primeiro, e depois Eva. E Adão não foi o que perdeu, foi a mulher que perdeu e se tornou pecadora (I Timóteo 2:11-14).

São Tertuliano foi mais brando que São Paulo, quando falava "às queridas irmãs" na fé. Ele dizia (5): "Vocês sabem que cada uma de vocês é uma Eva? A sentença de Deus sobre o sexo de vocês subsiste até agora: a culpa necessariamente subsiste também. Vocês são a porta de entrada para o Diabo: Vocês são a marca da árvore proibida: Vocês são as primeiras desertoras da divina lei: Vocês são aquelas que persuadiram o homem de que o diabo não precisava ser atacado. Vocês destruíram tão facilmente a imagem de Deus, o homem. Por causa de sua deserção, o Filho de Deus teve que morrer". 

Santo Agostinho foi fiel ao legado de seus antecessores. Ele escreveu a um amigo: "Qual é a diferença, seja uma esposa ou uma mãe, ainda assim é da Eva tentadora que devemos nos precaver em qualquer mulher. Eu não consigo ver qual o uso que uma mulher pode ter para um homem, exceto a função de dar à luz crianças". 

Séculos mais tarde, São Tomás de Aquino ainda considerava a mulher como um defeito: "Com relação à natureza individual, a mulher é defeituosa e mal feita, porque a força ativa na semente masculina tende para a produção de uma perfeita semelhança no sexo masculino; enquanto que a produção da mulher provém de um defeito na força ativa ou de alguma indisposição material, ou mesmo de algumas influências externas". 

Finalmente, o famoso reformador Martinho Lutero não conseguia ver qualquer benefício em uma mulher, a não ser trazer ao mundo tantas crianças quanto possível, apesar das conseqüências: "Se elas se cansarem ou mesmo morrerem, isto não é problema. Deixe-as morrer no parto, é para isso que estão aqui".

Muitas vezes as mulheres foram denegridas por causa da imagem de Eva como a tentadora, graças ao relato em Gênesis. Para resumir, a concepção judaico-cristã sobre as mulheres foi envenenada pela crença na natureza pecaminosa de Eva e de sua descendência feminina. 

Se agora voltarmos nossa atenção para o que o Alcorão diz sobre as mulheres, logo perceberemos que a concepção islâmica sobre elas é radicalmente diferente daquela encontrada no conceito judaico-cristão. Deixemos que o Alcorão fale por si mesmo: 

"Quanto aos muçulmanos e muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos devotados e às devotadas, aos verdadeiros e às verdadeiras, aos homens e mulheres que são perseverantes, aos homens e mulheres que são humildes, para os homens e mulheres que fazem a caridade, para os homens e mulheres que jejuam, aos homens e mulheres que guardam a castidade, e aos homens e mulheres que se comprometem em louvar Alá, para todos eles Alá preparou o perdão e uma grande recompensa" (33:35). 

"Os crentes, homens e mulheres, são protetores uns dos outros: usufruem do que é justo e proíbem o mal, observam as preces regulares, praticam a caridade regularmente e obedecem a Alá e Seu Mensageiro. Sobre eles  Alá despejará Sua Misericórdia: porque Alá é Exaltado em poder e sabedoria" (9:71)

"E seu Senhor respondeu a eles: Verdadeiramente, jamais perderei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher, porque procedeis uns do outros" (3:195)

"Quem cometer uma iniquidade será pago na mesma moeda e aquele que praticar o bem, seja homem ou mulher, e é um crente, entrará no Jardim de felicidade" (40:40).

"Quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, concederemos uma vida agradável e premiaremos com uma recompensa, de acordo com o melhor de suas ações" (16:97).

Está claro que a visão do Alcorão a respeito da mulher não difere da do homem. Ambos são criaturas de Deus e têm como sublime meta adorar seu Senhor, fazer boas ações e evitar o mal e por isso serão avaliados harmoniosamente. O Alcorão jamais menciona que a mulher é a porta de entrada para o mal ou que ela é uma enganadora por excelência. O Alcorão também jamais menciona que o homem é a imagem de Deus. Homens e mulheres são suas criaturas e só.

De acordo com o Alcorão, o papel da mulher na terra não está limitado somente ao parto. Dela se exige fazer boas ações, tanto quanto é exigido dos homens. O Alcorão nunca diz que jamais existiu uma mulher correta. Pelo contrário, o Alcorão instruiu a todos os crentes, homens e mulheres, a seguir o exemplo daquelas mulheres , tais como a Virgem Maria e a esposa do Faraó:

"E Deus dá, como exemplo aos fiéis, o da esposa do Faraó, que disse: Ó Senhor meu, construí, junto a ti, uma morada no Paraíso e livra-me do Faraó e de suas ações, e salva-me dos iníquos! E com Maria, filha de Imram, que conservou seu pudor e a qual alentamos com o Nosso Espírito; e ela testemunhou a verdade das palavras de seu Senhor e de Suas revelações e era uma das devotas" (66:11/13).

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1. Leonard J. Swidler, Women in Judaism: the Status of Women in Formative Judaism (Metuchen, N.J: Scarecrow Press, 1976) p. 115. 
2. Thena Kendath, "Memories of an Orthodox youth" in Susannah Heschel, ed. On being a Jewish Feminist (New York: Schocken Books, 1983), pp. 96-97. 
3. Swidler, op. cit., pp. 80-81. 
4. Rosemary R. Ruether, "Christianity", in Arvind Sharma, ed., Women in World Religions (Albany: State University of New York Press, 1987) p. 209. 
5. Para todas as referências dos Santos proeminentes, ver Karen Armstrong, The Gospel According to Woman (London: Elm Tree Books, 1986) pp. 52-62. Ver também Nancy van Vuuren, The Subversion of Women as Practiced by Churches, Witch-Hunters, and Other Sexists (Philadelphia: Westminister Press) pp. 28-30. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

FILHAS VERGONHOSAS

Realmente, a diferença entre a atitude bíblica e a alcorânica, em relação ao sexo feminino, começa logo que a mulher nasce. Por exemplo, a Bíblia estabelece que o período do ritual materno da impureza é duas vezes mais longo no caso do nascimento de uma menina do que no de um menino (Levítico 12:2-5) . A Bíblia Católica estabelece explicitamente que: "O nascimento de uma filha é uma prejuízo" (Eclesiastes 22:3). Em contraste com essa absurda declaração, os meninos recebem especial louvor: "Um homem que educa seu filho será invejado por seu inimigo" (Eclesiastes 30:3).

Os rabinos judeus tornaram uma obrigação para os homens produzirem uma descendência, a fim de propagar a raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua preferência por meninos: "É bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é mau para aqueles cujas crianças são meninas", " no nascimento de um menino tudo é alegria ... no nascimento de uma menina tudo é tristeza", e "Quando um menino chega ao mundo, a paz chega ao mundo ... Quando uma menina chega ao mundo, nada chega". (1)

Uma filha é considerada um peso doloroso, uma fonte potencial de vergonha para seu pai: "Sua filha é teimosa? Mantenha um olhar firme para que ela não faça de você um motivo de gargalhada para seus inimigos, de falatório na cidade, objeto de fofocas e coloque você em situação de vergonha pública" (Eclesiastes 42:11). Mantenha uma filha teimosa sob firme controle ou ela abusará de qualquer indulgência que receba. Mantenha vigilância sobre seu olho sem-vergonha, não se surpreenda se ela o desgraçar" (Eclesiastes 26:10-11). Foi esta mesma ideia de tratar as filhas como fonte de vergonha, que levou os árabes pagãos , antes do advento do Islam, a praticar o infanticídio feminino. O Alcorão condena vigorosamente esta prática hedionda:

"Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Que péssimo é o que julgam." (16:58/59).

Deve ser dito que, este crime sinistro, jamais teria parado na Arábia, não fora a força dos termos que o Alcorão usou para condenar tal prática (l6:59, 43:17, 8l:8/9).

Além disso, o Alcorão não faz distinção entre meninos e meninas. Em contraste com a Bíblia, o Alcorão considera o nascimento de uma mulher como um presente e uma bênção de Deus, da mesma forma que o nascimento de um menino.O Alcorão sempre menciona o presente do nascimento feminino primeiro:

"A Alá pertence o domínio dos céus e da terra. Ele cria o que lhe apraz. Concede filhas a quem quer e filhos a quem lhe apraz" (42:49).

A fim de apagar qualquer traço do infanticídio feminino na nascente sociedade muçulmana, o Profeta Muhammad prometeu àqueles que fossem abençoados com filhas uma grande recompensa, se eles as tratassem gentilmente: "Aquele que se ocupa da educação das filhas e as trata benevolentemente, estará protegido contra o Inferno" (Bukhari e Muslim). "Aquele que mantém duas meninas, até que elas atinjam a maturidade, ele e eu chegaremos no dia da ressurreição desse modo: e ele juntou seus dedos" (Muslim).

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Swidler, op. cit., p. 140. 

A EDUCAÇÃO FEMININA

A diferença entre os conceitos bíblicos e os alcorânicos sobre a mulher não está limitada apenas ao seu nascimento, ela vai muito mais longe. Comparemos suas atitudes em relação à mulher, tentando aprender sua religião. O coração do judaísmo é a Tora, a lei. Contudo, de acordo com o Talmud, "as mulheres estão isentas de estudarem a Tora". Alguns rabinos declaram firmemente "é preferível que as palavras da Tora sejam destruídas pelo fogo a serem partilhadas com uma mulher", e "aquele que ensina a sua filha a Tora é como se ele lhe ensinasse obscenidade" (1).

A atitude de São Paulo no Novo Testamento não é mais inteligente: "Como em todas as congregações de santos, as mulheres devem permanecer caladas nas igrejas. Não é permitido a elas falar, e devem ser submissas, como a lei diz. Se elas quiserem perguntar sobre alguma coisa, devem perguntar aos seus maridos em casa; porque é vergonhoso para uma mulher falar nas igrejas". (I Coríntios 14:34/35)

Como pode a mulher se instruir se não lhe é permito falar? Como pode uma mulher crescer intelectualmente se ela é obrigada a um estado de completa submissão? Como pode ela delinear seus horizontes, se sua única fonte de informação é seu marido em casa?

Agora, para ser gentil, devemos perguntar: A posição alcorânica é diferente? Uma pequena estória narrada no Alcorão resume sua posição concisamente. Khawlah era uma muçulmana, cujo marido Aws declarou, em um momento de raiva: "Para mim você é como as costas de minha mãe". Isto era tomado como uma declaração de divórcio pelos árabes pagãos e liberava o marido de qualquer responsabilidade conjugal, mas não deixava a esposa livre para deixar a casa do marido ou para se casar de novo. Tendo ouvido estas palavras de seu marido, Khawlah estava numa triste situação. Ela foi direto ao Profeta do Islam para apelar para o seu caso. O Profeta era de opinião que ela deveria ser paciente, desde que parecesse que não havia outro caminho. Khawlah continuou questionando o Profeta, na esperança de salvar o seu casamento. Rapidamente, o Alcorão interveio e o apelo de Khawlah foi aceito. O veredicto divino aboliu este costume iníquo. Um capítulo inteiro (Capítulo 58) do Alcorão, intitulado A Discussão, ou "A mulher que questionou", foi nomeado após este incidente:

"Allah ouviu e aceitou a declaração da mulher que apela a você (o Profeta) acerca de seu marido e leva sua queixa à Allah e Allah ouve os argumentos entre vocês, porque Allah ouve e vê todas as coisas ..." (58:1) 

A mulher na concepção alcorânica, tem o direito de argumentar, mesmo com o Profeta do Islam. Ninguém tem o direito de instruí-la a ficar calada. Ela não é obrigada a considerar seu marido como a única referência em matéria de lei e religião. 

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Denise L. Carmody, "Judaism", in Arvind Sharma, ed., op. cit., p. 197.

A MULHER SUJA E IMPURA


As leis e regulamentos judaicos, referentes à mulher menstruada, são extremamente restritivos. O Velho Testamento considera qualquer mulher menstruada impura e suja. Além disso, sua impureza "infecta" outras pessoas também. Qualquer um ou qualquer coisa tocada por ela torna-se sujo por um dia: "Quando uma mulher tem seu fluxo regular de sangue, a impureza de seu período mensal durará por sete dias e qualquer um que a toque estará sujo até a noite. Qualquer lugar onde ela se deite, durante o seu período, ficará sujo e qualquer lugar onde ela se sente ficará sujo. 

Qualquer um que toque sua cama precisa lavar suas roupas e banhar-se com água e ele ficará sujo até a noite. Qualquer um que toque qualquer lugar onde ela se senta deve lavar suas roupas e banhar-se com água e ele estará sujo até a noite. Se for a cama ou qualquer coisa que ela estava sentada, que alguém tocou, ele ficará sujo até a noite" (Levítico 15:19/23).

Devido à sua natureza "contaminadora", uma mulher menstruada era "banida" algumas vezes, a fim de evitar qualquer possibilidade de contato com ela. Ela era mandada para um lugar especial, chamado "a casa das impuras", por todo o período de sua impureza (1). O Talmud considera a mulher menstruada como "fatal", mesmo que não haja qualquer contato físico: "Nossos rabinos ensinaram: ... se uma mulher menstruada passar entre 2 (homens), se ela estiver no início de suas regras, ela matará um deles e se estiver no final de suas regras ela causará briga entre eles" (bPes. 111a.)

Além disso, o marido de uma mulher menstruada era proibido de entrar na sinagoga, se ela o tivesse feito ficar impuro, mesmo que pela poeira de seus pés. Um pastor, cuja esposa, filha ou mãe estivessem menstruadas, não podia recitar as bênçãos na sinagoga (2). Não espanta que muitas mulheres judias se refiram à menstruação como "a maldição" (3).

O Islam não considera a mulher menstruada como possuída por qualquer espécie de "sujeira contagiosa". Ela não é nem "intocável" nem "amaldiçoada". Ela pratica sua vida normal, apenas com algumas restrições. Um casal não pode ter relações sexuais durante o período menstrual. Qualquer outro contato físico entre eles é permitido. Uma mulher menstruada está isenta de alguns rituais, tais como as preces diárias e o jejum durante o seu período.

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Swidler, op. cit., p. 137. 
2. Ibid., p. 138. 
3. Sally Priesand, Judaism and the New Woman (New York: Behrman House, Inc., 1975) p. 24. 

DAR O TESTEMUNHO

Outra questão, na qual o Alcorão e a Bíblia discordam, é a que se refere ao testemunho da mulher. Na verdade, o Alcorão instruiu os crentes a fazerem transações financeiras com o testemunho de 2 homens ou 1 homem e 2 mulheres (2:282). Contudo, é também verdade que o Alcorão, em outras situações, aceita o testemunho da mulher tão igual quanto ao do homem. Realmente, o testemunho da mulher pode mesmo invalidar o do homem. Se um homem acusa sua esposa de falta de castidade, exige-se dele um juramento solene pelo Alcorão, por 5 vezes, como evidência da culpa de sua esposa. Se a esposa nega e jura igualmente 5 vezes, ela não é considerada culpada e em qualquer dos casos o casamento é dissolvido (24:6/11).

Por outro lado, as primeiras sociedades judaicas (1) não permitiam o testemunho feminino. Os rabinos contavam entre as 9 maldições infligidas às mulheres por causa da queda, a de não ser capaz de prestar testemunho (ver a seção "Legado de Eva"). Hoje, em Israel, as mulheres não podem apresentar provas em cortes Rabínicas (2). Os rabinos justificam o fato de as mulheres não poderem prestar testemunho, citando o Gênesis 18:9/16, onde está estabelecido que Sara, esposa de Abraão, havia mentido. Por causa desse incidente, os rabinos desqualificaram o testemunho feminino. Deve-se notar que esta estória narrada em Gênesis 18:9/16 foi mencionada mais de uma vez no Alcorão, sem qualquer sugestão de que Sara houvesse mentido (11:69/74, 5l:24/30). No ocidente cristão, as leis civis e eclesiásticas proibiam as mulheres de dar testemunho até o final do século passado (3).

Se um homem acusa sua mulher de infidelidade, seu testemunho, segundo a Bíblia, não será considerado de maneira nenhuma. A esposa acusada tinha que ser submetida a um julgamento penoso. Neste julgamento, a esposa enfrentava um ritual complexo e humilhante, no qual se supunha provar sua culpa ou inocência (Números 5:11/31). Se ela fosse culpada ela seria sentenciada à morte. Se ela fosse inocente, seu marido seria inocentado de qualquer injustiça. Além disso, se um homem toma uma mulher como esposa e, então, ele a acusa de não ser virgem, o testemunho dela não será levado em conta. Seus pais tinham que trazer provas de sua virgindade ante os mais velhos da cidade. Se os pais não pudessem provar a inocência de sua filha, ela seria apedrejada até a morte na soleira da casa de seus pais. Se os pais não fossem capazes de provar sua inocência, o marido seria obrigado a pagar uma multa e não poderia se divorciar da esposa enquanto ele vivesse: "Se um homem toma uma esposa e, após deitar com ela, se desagrada dela e a difama chamando-a por nomes feios, dizendo, "Eu me casei com esta mulher, mas quando eu me aproximei dela eu não encontrei provas de sua virgindade", então os pais da moça deverão trazer para os mais velhos da cidade a prova de que ela era virgem. O pai da moça dirá aos mais velhos, "Eu dei minha filha em casamento a este homem, mas ele se antipatizou com ela. Agora, ele está difamando-a e diz "eu não encontrei a sua filha virgem". Mas, aqui está a prova da virgindade da minha filha". Então, seus pais exibirão a roupa perante os anciãos da cidade e eles punirão o homem. Eles o multarão em 100 moedas de prata e as darão ao pai da moça, porque esse homem deu um nome mau para uma virgem israelita. Ela continuará a ser sua esposa e ele não poderá se divorciar dela enquanto viver. Se, contudo, a acusação for verdadeira e nenhuma prova da virgindade da moça puder ser encontrada, ela será trazida à porta da casa de seu pai e lá, os homens da cidade a apedrejarão até a morte. Ela fez uma coisa vergonhosa para Israel, sendo promíscua enquanto estava na casa de seu pai. O mal deve ser expurgado de entre vocês." (Deuteronômio 22:13/21)

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Swidler, op. cit., p. 115. 
2. Lesley Hazleton, Israeli Women The Reality Behind the Myths (New York: Simon and Schuster, 1977) p. 41. 
3. Gage, op. cit. p. 142.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

JURAMENTOS

De acordo com a Bíblia, um homem deve cumprir quaisquer juramentos que ele faça a Deus. Ele não pode quebrar a sua palavra. Por outro lado, o juramento de uma mulher não cria necessariamente uma obrigação para ela. Deve ser aprovado pelo seu pai, se ela está morando em sua casa, ou por seu marido, se ela for casada. Se um pai/marido não endossa os juramentos de sua filha/esposa, todas as garantias feitas por ela tornam-se nulas e inócuas: "Mas, se seu pai a proíbe quando ele a ouve fazer o juramento, nenhum de seus juramentos ou garantias pelas quais ela se obrigava, permanecerão ... Seu marido pode confirmar ou anular qualquer juramento que ela faça ou qualquer garantia prometida para negar-lhe" (Números 30:2/15).

Por que a palavra de uma mulher não a sujeita de per si? A resposta é simples: porque ela é propriedade de seu pai, antes do casamento, ou de seu marido após o casamento. O controle paterno sobre sua filha era absoluto até o ponto em que, se ele o desejasse, poderia vendê-la! Está indicado nos escritos dos rabinos que: "O homem pode vender sua filha, mas a mulher não pode vender sua filha; o homem pode contratar casamento para a sua filha, mas a mulher não pode fazê-lo para sua filha". (1). A literatura rabínica também indica que o casamento representa a transferência de controle do pai para o marido: "o noivado, fazendo da mulher a posse sacrossanta - a propriedade inviolável -- do marido ..."; Obviamente, se a mulher é considerada propriedade de alguém, ela não pode dar qualquer garantia que seu dono não aprove.

É de interesse notar que esta instrução bíblica, relativa aos juramentos das mulheres, teve repercussões negativas sobre as mulheres judias e cristãs até o início deste século. Uma mulher casada, no mundo ocidental, não tinha status legal. Nenhum ato seu tinha qualquer valor legal. Seu marido podia repudiar qualquer contrato, comércio ou negócio feito por ela. As mulheres no ocidente (as maiores herdeiras do legado judaico-cristão) eram tidas como incapazes de cumprir contratos porque elas eram praticamente a posse de alguém. As mulheres ocidentais sofreram por quase 2 mil anos por causa da postura bíblica em relação à posição da mulher, vis-a-vis seus pais e maridos (2).

No Islam, o juramento de cada muçulmano, homem ou mulher, o/a sujeita. Ninguém tem o poder de repudiar as garantias de quem quer que seja. Falhar na manutenção de um juramento solene, feito por um homem ou uma mulher, tem que ser expiado conforme indicado no Alcorão: "Ele (Deus) vos chamará pelos vossos juramentos deliberados: como expiação, alimentai dez pessoas indigentes, da maneira como alimentais vossa família,. ou vesti-os, ou libertai um escravo. Se isso estiver além de vossas posses, jejuai por 3 dias. Esta é a expiação para os vossos perjúrios. Mantenham, pois, vossos juramentos" (5:89).

Os companheiros do Profeta Muhammad, homens e mulheres, costumavam apresentar seus juramentos de submissão a ele pessoalmente. As mulheres, tanto quanto os homens,vinham livremente até ele e prestavam seus juramentos: "Ó Profeta, quando as mulheres crentes vierem a ti para fazer um acordo contigo de que elas não atribuirão parceiros a Deus, nem roubarão, ou fornicarão, ou matarão seus próprios filhos, não matarão ninguém, nem desobedecerão a ti em qualquer assunto, então tome este compromisso com elas e peça a Deus o perdão para os pecados delas. Na verdade, Deus é Perdoador e o mais Misericordioso (60:12).

Um homem não pode fazer um juramento por conta de sua filha ou esposa. Nem pode um homem repudiar o juramento feito por quaisquer de suas parentes femininas.

Fonte: A mulher no Islam المراه في الإسلام

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Swidler, op. cit., p. 141. 
2. Matilda J. Gage, Woman, Church, and State (New York: Truth Seeker Company, 1893) p. 141.