Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso
Na aula de hoje, primeiramente recitamos os versículos 273 e 274 da surata de Al-Bacara:
للفقراء الذين أحصروا في سبيل الله لا يستطيعون ضربا في الأرض يحسبهم الجاهل أغنياء من التعفف تعرفهم بسيماهم لا يسألون الناس إلحافا وما تنفقوا من خير فإن الله به عليم
(Concedei-a) aos que empobrecerem, empenhados na causa de Allah, que não podem se dar a negócios na terra, e que o ignorante não os crê necessitados, porque são reservados. Tu os reconhecerás por seus aspectos, porque não mendigam impertinentemente. De toda a caridade que fizerdes Allah saberá. (273)
الذين ينفقون أموالهم بالليل والنهار سرا وعلانية فلهم أجرهم عند ربهم ولا خوف عليهم ولا هم يحزنون
Aqueles que gastam dos seus bens, tanto de dia como à noite, quer secreta, quer abertamente, obterão a sua recompensa no Senhor e não serão presas do temor, nem se angustiarão. (274)
Como foi dito, o Islam para estabelecer o equilíbrio e a moderação na comunidade islâmica fez recomendações, entre elas a contribuição com a esmola, ou seja, para que os ricos e poderosos ajudarem a comunidade oprimida com os seus bens.
Estes versículos se referem à importância da esmola, concedido aos refugiados e combatentes que perderam suas casas e bens por ter dedicado à causa de Allah (ﷻ), aqueles que longe de suas casas, nem têm bens, nem possibilidade de trabalhar e ganhar algo e se sustentar, em que a sua honra não lhes permita pedir as pessoas e resolver as suas necessidades, aparentemente a maioria das pessoas pensa que eles não precisam de nada, mas os crentes devem pensar neles, já que não querem desacreditar sua honra e não devem permitir que seus irmãos da fé e da religião vivam na pobreza e em dificuldades.
Tal como se lê na história, no início do Islam o profeta (ﷺ) junto com um grupo migrou de Meca à Medina, mas em Medina não tinha lugar para ficar nem tinha rendimento, já que os politeístas de Meca tinham seus bens confiscados, o povo de Medina receberam estes grupos nas suas casas, e os ofereceram, mantimentos e os meios de sustentação, mas a maioria vivia no lado da mesquita do profeta em um lugar denominado Safe, porem este versículo recomenda aos crentes a analisar a situação da sua vida.
Portanto, este versículo nos ensina:
1. Allah nos bens dos ricos tem posto um direito para gastar a favor dos necessitados.
2. Na comunidade islâmica antes que os necessitados se manifestam as suas necessidades, os crentes devem estudar a sua situação e não permitir que desacreditem sua honra e o seu desprezo.
3. Na cultura do Alcorão, o pobre é quem não é capaz de sustentar a sua vida por causa de seus problemas físicos, tais como a doença, velhice e fatores naturais, como inundações, terramotos ou guerra, reconhecendo isso, é uma obrigação à proteção da sua honra, bem-estar material e financeiro, mas em outras sociedades os pobres insistem em pedir dinheiro às pessoas.
4. Allah (ﷻ) tem assegurado o futuro daqueles que dão esmolas em Seu caminho e eles não devem ter medo da pobreza, tal como também por confiar em Allah (ﷻ), eles nunca se arrependerão ou afligirão pelas esmolas dadas.
Em seguida, lemos os versículos 275 e 276 da surata de Al-Bacara:
الذين يأكلون الربا لا يقومون إلا كما يقوم الذي يتخبطه الشيطان من المس ذلك بأنهم قالوا إنما البيع مثل الربا وأحل الله البيع وحرم الربا فمن جاءه موعظة من ربه فانتهى فله ما سلف وأمره إلى الله ومن عاد فأولئك أصحاب النار هم فيها خالدون
Os que praticam a usura serão ressuscitados como aquele que foi perturbado por Satanás; isso, porque disseram que a usura é o mesmo que o comércio; no entanto, Allah consente o comércio e veda a usura. Mas, quem tiver recebido uma exortação do seu Senhor e se abstiver, será absolvido quanto ao passado, e seu julgamento só caberá a Allah. Por outro lado, aqueles que reincidirem, será condenado ao inferno, onde permanecerão eternamente. (275)
يمحق الله الربا ويربي الصدقات والله لا يحب كل كفار أثيم
Allah destituirá a usura de todas as benesses e multiplicará a recompensa aos caritativos; Ele não aprecia nenhum incrédulo, pecador. (276)
Recordando que Allah (ﷻ) em 14 versículos contínuos da surata de Al-Bacara está encorajando os fiéis a dar esmolas e definir seus sinais individuais e sociais que por um lado avive o espírito de generosidade em pessoa, reduzindo a sua tendência mundana, e por outro lado alivia a distância de classe, governando o espírito de fraternidade e igualdade na comunidade islâmica.
Agora, depois de estes versículos, o Alcorão se refere ao fenômeno sinistro da usura que tanto afeta o equilíbrio econômico da comunidade, com o equilíbrio psicológico pela sua pratica, por um lado motiva a animosidade e ódio dos oprimidos contra os ricos e conduz a comunidade até a explosão e, por outro lado, traz uma espécie de mania para os usurários, uma vez que só conhecem o dinheiro e ouro em toda a negociação, inclusive com as inclinações humanas, o usurário sem que o seu dinheiro despenhe um papel na produção ou nos assuntos de serviço comunitário, e sem que o seu pensamento ou a força do seu braço fazer algo, dando o seu dinheiro à pessoa necessitada e pede um lucro de volta.
O resultado disso é que todos os debilitados ficam ainda mais fracos e os ricos mais ricos, e esta é a grande injustiça contra a comunidade oprimida, por isso, em todas as religiões divinas usura é proibida e determina grandes punições para aqueles que a praticam. Mesmo que aparentemente usura aumente bens e a esmola os reduza, no entanto, a benevolência de pratica-la, está nas mãos de Allah (ﷻ), por isso, o dinheiro obtido através de usura, em vez de trazer felicidade para a pessoa, uma vez que está acompanha com ódio dos oprimidos torna-se inseguro o dinheiro e a vida do usurário e é possível que até mesmo acabar com os seus bens, ao contrário do que a contribuição com esmola com a popularidade adquirida na comunidade traz tranquilidade e se pavimenta o caminho do desenvolvimento e bem-estar na comunidade.
A partir destes versos ficamos sabendo que:
1. A usura anula o equilíbrio psicológico das pessoas e também o equilíbrio económico da comunidade, em vez de amor e injustiça em vez de justiça propaga ódio na comunidade.
2. O Islam é uma religião global que cuida a comunidade, através de programas dedicados aos assuntos económicos do povo e não forçá-los a fazer da oração, sem ilusão.
3. A usura é um tipo de ingratidão a Allah (ﷻ), uma vez que os bens acumulados a nossa disposição não são apenas um depósito e se não contribuímos com esmola, é ser ingrato perante a bondade divina e pode motivar a destruição dos nossos bens.
Em seguida, recitamos o versículo 277:
إن الذين آمنوا وعملوا الصالحات وأقاموا الصلاة وآتوا الزكاة لهم أجرهم عند ربهم ولا خوف عليهم ولا هم يحزنون
Os crentes que praticarem o bem, observarem a oração e pagarem o zakat, terão a sua recompensa no Senhor e não serão presas do temor, nem se angustiarão. (277)
Este versículo apresenta o verdadeiro crente que ao lado de estabelecer uma relação com o Criador nas orações regulares, pensa também em relação com o criado e criação de Allah (ﷻ), recolhendo Zakat (tributo religioso), também não reconhece a religião limitada a realizar seus deveres com relutância, mas também deve pensar em praticar a bondade com os outros.
Nós terminamos nossa aula dizendo que o aumento das esmolas, caridade e zakat na comunidade não deixam espaço para usurários, de modo que administre a comunidade a uma verdadeira justiça.
Fonte: parstoday
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Surata Al-Bacara (A Vaca), versículos 278-282
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso
Primeiramente vamos recitar os versículos 278 e 279 do surata de Bácara:
يا أيها الذين آمنوا اتقوا الله وذروا ما بقي من الربا إن كنتم مؤمنين
Ó crentes, temei a Allah e abandonai o que ainda vos resta da usura, se sois crentes! (278)
فإن لم تفعلوا فأذنوا بحرب من الله ورسوله وإن تبتم فلكم رءوس أموالكم لا تظلمون ولا تظلمون
Mas, se tal não acatardes, esperai a hostilidade de Allah e do Seu Mensageiro; porém, se vos arrependerdes, reavereis apenas o vosso capital. Não façais injustiças e não sereis injustiçados. (279)
Quando foram revelados os versículos sobre a prática da usura, alguns muçulmanos eram credores pelo recebimento da Usura, por isso perguntaram ao Profeta (ﷺ) sobre isso, estes versículos foram revelados e o profeta na reunião com os muçulmanos declarou que todos os acordos relativos à surata tinham sido anulados, tendo, antes de todos, os seus parentes devendo deixar de praticar a usura.
Nos versículos anteriores, tínhamos lido que ajudar os oprimidos e dar empréstimos, é igual que oferecer empréstimo a Allah (ﷻ) e Ele nos concederá a sua recompensa. Estes versículos advertem também a quem pratica a usura que é um ato de injustiça contra os oprimidos, recomendando a abandonar esta prática, Allah (ﷻ) e o seu enviado se levantam para apoiar os necessitados e lutar contra eles.
A partir destes versículos ficamos sabendo que:
1. A fé somente não se resume em oração e jejum, porem, o afastamento de receber bens ilícitos é a condição da fé e um sinal de piedade e devoção.
2. O Islam respeita a propriedade e bem das pessoas, mas não permite que o rico explore os vulneráveis e outros necessitados.
3. Explorador e explorado ambos são repreensíveis, ou seja, tanto é proibido receber benefícios da usura, como a ofereces.
Então vamos ler os versículos 280 e 281 da surata de Bácara:
وإن كان ذو عسرة فنظرة إلى ميسرة وأن تصدقوا خير لكم إن كنتم تعلمون
Se vosso devedor se achar em situação precária, concedei-lhe um tempo; mas, se o perdoardes, será preferível para vós, se quereis saber. (280).
واتقوا يوما ترجعون فيه إلى الله ثم توفى كل نفس ما كسبت وهم لا يظلمون
E temei o dia em que retornareis a Allah, e em que cada alma receberá o seu merecido, sem ser injustiçada. (281).
Em continuação aos versículos anteriores que incentivava os fiéis a contribuir com esmolas e o empréstimo e os proibia de praticar a usura, este versículo refere-se a um importante ponto de moral, de que não só no caso de dívidas não receber benefícios, como dentro de uma determinada situação, se essa pessoa não puder paga-las, permitir e proporciona-lo outro prazo e inclusive devolve-lo o empréstimo e sabemos que este perdão e moratório não ficará sem recompensa, e Allah (ﷻ) no dia do juízo final vai premiar por completo.
Na verdade, se tivesse cumprido esta recomendação religiosa na comunidade teria aumentado à generosidade e assim se resolveria as necessidades dos pobres e os ricos não seriam gananciosos e ciumentos, de modo que diminuiria a distancia e fissura entre ricos e pobres.
A partir destes versículos aprendemos que:
1. O caso importante na esmola e dar empréstimo aos oprimidos são criar o bem-estar para eles, porque algo deve ser feito para que eles possam novamente amortizar as suas dívidas.
2. O Islam é o protetor verdadeiro dos oprimidos e boicota a usura, encorajando a esmola e atos de caridade, visando encher as lacunas econômicas da comunidade.
3. Conseguir satisfazer os oprimidos e ganhar a satisfação divina é muito melhor do que a ganhar rendimentos.
Em seguida, recitamos o versículo 282.
يا أيها الذين آمنوا إذا تداينتم بدين إلى أجل مسمى فاكتبوه وليكتب بينكم كاتب بالعدل ولا يأب كاتب أن يكتب كما علمه الله فليكتب وليملل الذي عليه الحق وليتق الله ربه ولا يبخس منه شيئا فإن كان الذي عليه الحق سفيها أو ضعيفا أو لا يستطيع أن يمل هو فليملل وليه بالعدل واستشهدوا شهيدين من رجالكم فإن لم يكونا رجلين فرجل وامرأتان ممن ترضون من الشهداء أن تضل إحداهما فتذكر إحداهما الأخرى ولا يأب الشهداء إذا ما دعوا ولا تسأموا أن تكتبوه صغيرا أو كبيرا إلى أجله ذلكم أقسط عند الله وأقوم للشهادة وأدنى ألا ترتابوا إلا أن تكون تجارة حاضرة تديرونها بينكم فليس عليكم جناح ألا تكتبوها وأشهدوا إذا تبايعتم ولا يضار كاتب ولا شهيد وإن تفعلوا فإنه فسوق بكم واتقوا الله ويعلمكم الله والله بكل شيء عليم
Ó crentes, quando contrairdes uma dívida por tempo pré-fixado, documentai-a; e que um escriba, na presença de ambas as partes, ponha-a fielmente por escrito; que nenhum escriba se negue a escrever, como Allah lhe ensinou. Que o devedor dite, e que tema a Allah, seu Senhor, e nada omita dele (o contrato). Porém, se o devedor for deficiente, ou inapto, ou estiver incapacitado de ditar, que seu procurador dite fielmente (por ele). Chamai duas testemunhas masculinas dentre os vossos ou, na falta destas, um homem e duas mulheres de vossa preferência, porque, se uma delas se esquecer, a outra a recordará. Que as testemunhas não se neguem, quando forem requisitadas (para a evidência). Não desdenheis documentar a dívida, seja pequena ou grande, até ao seu vencimento. Este proceder é o mais equitativo aos olhos de Allah, o mais válido para o testemunho e o mais adequado para evitar dúvidas entre vós. Tratando-se de comércio determinado, feito de mão em mão, não incorrereis em falta se não o documentardes. Apelai para testemunhas quando mercadejardes, e que o escriba e as testemunhas não sejam injuriados; se os injuriardes, cometereis delito. Temei a Allah e Ele vos instruirá, porque é Onisciente. (282).
Este versículo é o versículo mais longo no Alcorão Sagrado, trata de “HagoNas”, ou seja, a proteção dos direitos financeiros dos povos, seguindo os versículos anteriores sobre orientações econômicas do Islam, que encorajam as pessoas a dar esmolas e empréstimos e continuam boicotando a usura, este versículo define o método correto de negócios para que os negócios do povo fiquem longe de todos os erros, lesões e injustiças em qualquer lugar.
As condições que este versículo determina para negócios se resumem no seguinte:
1. Para cada religião, tanto o empréstimo como o negócio a prazo, tanto pequeno como grande, precisa ser regulado e documentado.
2. Documentado o negócio, mas com base na admissão de uma pessoa que tenha alguma dívida a seu caso.
3. Tanto o devedor como escrivão, deve considerar Allah (ﷻ) nas suas negociações e não fazem nada contra a verdade.
4. Além de escrever são necessárias duas testemunhas confiáveis para ambas às partes e a realização deste negócio.
5. No negócio a crédito não precisa escrever e é suficiente a existência de testemunhas.
A partir deste versículo aprendemos que:
1. O Islam é uma religião global e que considera todas as dimensões da comunidade e para além da dimensão individual e em desenvolvimento espiritual do ser humano, tem um profundo e sério olhar sobre as questões legais e a econômica da comunidade.
2. A recomendação de registrar e documentar os negócios, isto numa altura em que a maioria das pessoas não capacitadas para ler e escrever, é um sinal de atenção da religião ao caso da alfabetização e desenvolvimento científico de pessoas.
3. A recomendação pelo registro do acordo está no sentido de manter a confiança entre os povos e não é o sinal de desconfiança, já que assuntos como o esquecimento, erro ou a negociação anulada, causam a intranquilidade e a insegurança econômica da comunidade.
4. O ato de registro dos negócios tem três vantagens:
1. Garante o exercício da justiça.
2. Um documento para as testemunhas de negócios.
3. Impede a propagação de pessimismo e desconfiança na comunidade.
Fonte: parstoday
Primeiramente vamos recitar os versículos 278 e 279 do surata de Bácara:
يا أيها الذين آمنوا اتقوا الله وذروا ما بقي من الربا إن كنتم مؤمنين
Ó crentes, temei a Allah e abandonai o que ainda vos resta da usura, se sois crentes! (278)
فإن لم تفعلوا فأذنوا بحرب من الله ورسوله وإن تبتم فلكم رءوس أموالكم لا تظلمون ولا تظلمون
Mas, se tal não acatardes, esperai a hostilidade de Allah e do Seu Mensageiro; porém, se vos arrependerdes, reavereis apenas o vosso capital. Não façais injustiças e não sereis injustiçados. (279)
Quando foram revelados os versículos sobre a prática da usura, alguns muçulmanos eram credores pelo recebimento da Usura, por isso perguntaram ao Profeta (ﷺ) sobre isso, estes versículos foram revelados e o profeta na reunião com os muçulmanos declarou que todos os acordos relativos à surata tinham sido anulados, tendo, antes de todos, os seus parentes devendo deixar de praticar a usura.
Nos versículos anteriores, tínhamos lido que ajudar os oprimidos e dar empréstimos, é igual que oferecer empréstimo a Allah (ﷻ) e Ele nos concederá a sua recompensa. Estes versículos advertem também a quem pratica a usura que é um ato de injustiça contra os oprimidos, recomendando a abandonar esta prática, Allah (ﷻ) e o seu enviado se levantam para apoiar os necessitados e lutar contra eles.
A partir destes versículos ficamos sabendo que:
1. A fé somente não se resume em oração e jejum, porem, o afastamento de receber bens ilícitos é a condição da fé e um sinal de piedade e devoção.
2. O Islam respeita a propriedade e bem das pessoas, mas não permite que o rico explore os vulneráveis e outros necessitados.
3. Explorador e explorado ambos são repreensíveis, ou seja, tanto é proibido receber benefícios da usura, como a ofereces.
Então vamos ler os versículos 280 e 281 da surata de Bácara:
وإن كان ذو عسرة فنظرة إلى ميسرة وأن تصدقوا خير لكم إن كنتم تعلمون
Se vosso devedor se achar em situação precária, concedei-lhe um tempo; mas, se o perdoardes, será preferível para vós, se quereis saber. (280).
واتقوا يوما ترجعون فيه إلى الله ثم توفى كل نفس ما كسبت وهم لا يظلمون
E temei o dia em que retornareis a Allah, e em que cada alma receberá o seu merecido, sem ser injustiçada. (281).
Em continuação aos versículos anteriores que incentivava os fiéis a contribuir com esmolas e o empréstimo e os proibia de praticar a usura, este versículo refere-se a um importante ponto de moral, de que não só no caso de dívidas não receber benefícios, como dentro de uma determinada situação, se essa pessoa não puder paga-las, permitir e proporciona-lo outro prazo e inclusive devolve-lo o empréstimo e sabemos que este perdão e moratório não ficará sem recompensa, e Allah (ﷻ) no dia do juízo final vai premiar por completo.
Na verdade, se tivesse cumprido esta recomendação religiosa na comunidade teria aumentado à generosidade e assim se resolveria as necessidades dos pobres e os ricos não seriam gananciosos e ciumentos, de modo que diminuiria a distancia e fissura entre ricos e pobres.
A partir destes versículos aprendemos que:
1. O caso importante na esmola e dar empréstimo aos oprimidos são criar o bem-estar para eles, porque algo deve ser feito para que eles possam novamente amortizar as suas dívidas.
2. O Islam é o protetor verdadeiro dos oprimidos e boicota a usura, encorajando a esmola e atos de caridade, visando encher as lacunas econômicas da comunidade.
3. Conseguir satisfazer os oprimidos e ganhar a satisfação divina é muito melhor do que a ganhar rendimentos.
Em seguida, recitamos o versículo 282.
يا أيها الذين آمنوا إذا تداينتم بدين إلى أجل مسمى فاكتبوه وليكتب بينكم كاتب بالعدل ولا يأب كاتب أن يكتب كما علمه الله فليكتب وليملل الذي عليه الحق وليتق الله ربه ولا يبخس منه شيئا فإن كان الذي عليه الحق سفيها أو ضعيفا أو لا يستطيع أن يمل هو فليملل وليه بالعدل واستشهدوا شهيدين من رجالكم فإن لم يكونا رجلين فرجل وامرأتان ممن ترضون من الشهداء أن تضل إحداهما فتذكر إحداهما الأخرى ولا يأب الشهداء إذا ما دعوا ولا تسأموا أن تكتبوه صغيرا أو كبيرا إلى أجله ذلكم أقسط عند الله وأقوم للشهادة وأدنى ألا ترتابوا إلا أن تكون تجارة حاضرة تديرونها بينكم فليس عليكم جناح ألا تكتبوها وأشهدوا إذا تبايعتم ولا يضار كاتب ولا شهيد وإن تفعلوا فإنه فسوق بكم واتقوا الله ويعلمكم الله والله بكل شيء عليم
Ó crentes, quando contrairdes uma dívida por tempo pré-fixado, documentai-a; e que um escriba, na presença de ambas as partes, ponha-a fielmente por escrito; que nenhum escriba se negue a escrever, como Allah lhe ensinou. Que o devedor dite, e que tema a Allah, seu Senhor, e nada omita dele (o contrato). Porém, se o devedor for deficiente, ou inapto, ou estiver incapacitado de ditar, que seu procurador dite fielmente (por ele). Chamai duas testemunhas masculinas dentre os vossos ou, na falta destas, um homem e duas mulheres de vossa preferência, porque, se uma delas se esquecer, a outra a recordará. Que as testemunhas não se neguem, quando forem requisitadas (para a evidência). Não desdenheis documentar a dívida, seja pequena ou grande, até ao seu vencimento. Este proceder é o mais equitativo aos olhos de Allah, o mais válido para o testemunho e o mais adequado para evitar dúvidas entre vós. Tratando-se de comércio determinado, feito de mão em mão, não incorrereis em falta se não o documentardes. Apelai para testemunhas quando mercadejardes, e que o escriba e as testemunhas não sejam injuriados; se os injuriardes, cometereis delito. Temei a Allah e Ele vos instruirá, porque é Onisciente. (282).
Este versículo é o versículo mais longo no Alcorão Sagrado, trata de “HagoNas”, ou seja, a proteção dos direitos financeiros dos povos, seguindo os versículos anteriores sobre orientações econômicas do Islam, que encorajam as pessoas a dar esmolas e empréstimos e continuam boicotando a usura, este versículo define o método correto de negócios para que os negócios do povo fiquem longe de todos os erros, lesões e injustiças em qualquer lugar.
As condições que este versículo determina para negócios se resumem no seguinte:
1. Para cada religião, tanto o empréstimo como o negócio a prazo, tanto pequeno como grande, precisa ser regulado e documentado.
2. Documentado o negócio, mas com base na admissão de uma pessoa que tenha alguma dívida a seu caso.
3. Tanto o devedor como escrivão, deve considerar Allah (ﷻ) nas suas negociações e não fazem nada contra a verdade.
4. Além de escrever são necessárias duas testemunhas confiáveis para ambas às partes e a realização deste negócio.
5. No negócio a crédito não precisa escrever e é suficiente a existência de testemunhas.
A partir deste versículo aprendemos que:
1. O Islam é uma religião global e que considera todas as dimensões da comunidade e para além da dimensão individual e em desenvolvimento espiritual do ser humano, tem um profundo e sério olhar sobre as questões legais e a econômica da comunidade.
2. A recomendação de registrar e documentar os negócios, isto numa altura em que a maioria das pessoas não capacitadas para ler e escrever, é um sinal de atenção da religião ao caso da alfabetização e desenvolvimento científico de pessoas.
3. A recomendação pelo registro do acordo está no sentido de manter a confiança entre os povos e não é o sinal de desconfiança, já que assuntos como o esquecimento, erro ou a negociação anulada, causam a intranquilidade e a insegurança econômica da comunidade.
4. O ato de registro dos negócios tem três vantagens:
1. Garante o exercício da justiça.
2. Um documento para as testemunhas de negócios.
3. Impede a propagação de pessimismo e desconfiança na comunidade.
Fonte: parstoday
sábado, 23 de junho de 2018
Surata Al Bácara (A Vaca), versículos 1-5
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
Hoje vamos começar traduzir a segunda surata do Alcorão Sagrado e explicamos os seus versículos. Ele é chamado “Bácara” que significa “a vaca”, e deve o seu nome à história da vaca dos filhos de Israel.
O surata Bácara começa com a letra A, L, M e tem 286 versículos, sendo a mais longa surata do Alcorão, sendo ainda uma das outras suratas do Alcorão começado com as letras-chave. De acordo com a maioria dos interpretes estas letras chaves mostram o milagre, a grandeza e nobreza do Alcorão, Allah (سبحانه و تعالى) chama a atenção para o seu eterno milagre que é formado com as mesmas letras chaves.
Então, convidamos vocês para ler o primeiro versículo deste surata.
بسم الله الرحمن الرحيم
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso
الم
Alif Lam Mim (Bácara-1)
ذلك الكتاب لا ريب فيه هدى للمتقين
Eis o livro que é indubitavelmente a orientação dos temente a Allah (Bácara-2).
O livro é o patrimônio mais valioso de gerações passadas para os seres humanos, hoje, vamos buscar os mais altos conceitos e sabedoria desse livro, e apresenta-los aos todos ouvintes.
Allah também apresentou ao seu Mensageiro as regras completas de vida em forma de livro, enviado por Allah (سبحانه و تعالى) desde o início da recitação dos versículos, as inspiração para as pessoas e pediu-lhes para anotá-las, memorizar para se proteger do mal. Agora o Alcorão de revelação divina é um livro forte e eterno, como um cientista cristão tinha dito: “este livro, desde o início do Islam sempre era um livro religioso de destaque no mundo em termos de religião em que passada 1.400 anos ainda não é obsoleto”.
No versículo que ouvimos, Allah (سبحانه و تعالى) lembra que este livro celestial é a diretriz para os devotos, que querem e podem tirar proveito deste livro em direção a verdade e aceitar orientação. Por isso no início do caminho é necessária ter piedade interior que prepara o terreno para aceitar as diretrizes do Alcorão, como os raios
de luz que passa através de um vidro transparente, também podemos sentir a luz do Alcorão em nossos corações quando fomos capazes de preparar os nossos espíritos para aceitar as belas verdades profundas deste livro. Allah (سبحانه و تعالى) no versículo a seguir define as características dos piedosos e aqueles que temem a Allah (سبحانه و تعالى) e diz:
الذين يؤمنون بالغيب ويقيمون الصلاة ومما رزقناهم ينفقون
والذين يؤمنون بما أنزل إليك وما أنزل من قبلك وبالآخرة هم يوقنون
"Que creem no incognoscível, observam a oração e gastam daquilo com que os agraciamos;(4) Que creem no que te foi revelado (ó Muhammad), no que foi revelado antes de ti e estão persuadidos da outra vida." ( Bácara- 3-4)
Conhecimento de pessoas piedosas e investigadores da verdade não se limita ao mundo material, como os sentidos humanos são limitados e incapazes de perceber toda a existência, somente o piedoso com base na natureza, acredita em Ser Sábio e Poderoso que está escondido dos sentidos aparentes e é a origem de todos os seres vivos e também estão na corrida desta verdade que o mundo da existência não se limita ao mundo material aparente. Uma característica desses homens e devotos piedosos é modéstia e a submissão a Allah Todo-Poderoso, manifestado no âmbito do Salat (oração) e passar uma parte da sua riqueza para os outros( o Dizimo).
O piedoso assegura as necessidades espiritual e da sua alma com o Salat é a lembrança de Allah (سبحانه و تعالى), e portanto, pode alcançar a paz e segurança, dando uma parcela de sua renda para os pobres, atender as necessidades da comunidade, para que eles também passam de ser necessitados. Estes versículos nos ensinam que a fé não está separada da ação e que o Islam é uma religião global para dirigir a vida individual e social.
Versículos seguintes mencionam a fé que inspirou no profeta do Islam e os profetas anteriores, como características dos piedosos. A fé significa: coloque o comentário no coração, acreditando que o homem, salva suas dúvidas de crenças, pode chegar à fonte de segurança, de fato, juntamente com a segurança, o homem pode estabelecer uma relação mais profunda com o verdadeiro Criador, tal crença afasta o homem do pecado e decora as boas e dignas obras.
Estes versículos lembram que os servos precisam a fé, e acreditar nos profetas (عليه السلام) inspirados por Allah Todo-Poderoso e reconhecer o divino Mensageiro como verdadeiro administrador da humanidade e não acreditam contradições na religião.
No final desta parte, os versículos de surata Bácara definem as características dos crentes, Allah (سبحانه و تعالى) dá a boa notícia que os devotos podem alcançar a felicidade e salvação. No versículo 5 diz:
أولئك على هدى من ربهم وأولئك هم المفلحون
Estes possuem a orientação do seu Senhor e estes serão os bem aventurados (Bácara- 5)
De acordo com este versículo, finalmente, o piedoso será salvo, meios de salvação, livre dos desejos internos e desenvolver virtudes morais, que é o estágio mais elevado de perfeição humana. Como Allah (سبحانه و تعالى) em vários versículos recorda que a existência dos seres humanos e em que o objetivo da criação do homem é a sua exaltação e desenvolvimento e é alcançado através da oração e devoção. Este versículo prometa que tinham como alvo prosperar.
Pedimos a Allah (سبحانه و تعالى) que ilumine a luz da fé em nossos corações e nos colocado na fila dos que foram dirigidos.
Fonte: parstoday . com
Local:
Brasil
sexta-feira, 15 de junho de 2018
A Surah Nur e a Modéstia
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
A Surah Nur foi revelada no final do período de Medina. Lida exclusivamente com os tópicos da modéstia e das Leis Islâmicas que governam assuntos sexuais. Existem múltiplas seções desta Surah que foram reveladas em ocasiões específicas, lidando com os assuntos assim que surgiam.
O mais famoso desses assuntos foi o Hadeeth Al-Ifk (o incidente da calúnia) no qual Ayesha Bint Abi Bakr (radhiAllahu ‘anha) foi difamada com o mais díficil tipo de difamação. Ela permaneceu forte, e depositou a sua confiança em Allah. Eventualmente, Allah revelou os versículos na Surah Nur, declarando a sua inocência e castidade.
A Surah Nur é ainda uma Surah muito importante para se estudar Tafsir. Recomendo fortemente que todo o muçulmano tire tempo para ler e aprender o seu Tafsir sob um professor autêntico. É principalmente importante nesta era moderna em que a falta de modéstia e os pecados sexuais se tornaram a norma em algumas comunidades muçulmanas. Que Allah nos proteja a todos.
As Leis na Surah Nur
Para facilitar as coisas, aqui está uma lista das principais leis reveladas nesta Surah:
1. A fornicação e o adultério são pecados maiores. A Shariah estipulou-lhes punições severas.
2. É proibido casar-se com um fornicador a menos que ele/ela se tenha arrependido e reformado sinceramente.
3. É proibido caluniar alguém por fornicação ou adultério. A calúnia também tem uma severa punição na Shariah.
4. Li’aan (o processo de amaldiçoar) foi estabelecido quando alguém acusa o seu esposo de adultério.
5. Os muçulmanos devem ter bons pensamentos (Husn Dhann) uns dos outros quando lhes alcança uma calúnia ou fofoca sobre um outro muçulmano.
6. Os muçulmanos devem evitar envolver-se em qualquer tipo de fofoca ou difamação, principalmente de mulheres virtuosas.
7. Acreditar que Ayesha Bint Abi Baakr cometeu o pecado maior é Kufr. Isto porque Allah declarou a sua inocência no Qur’an.
8. Devemos continuar a tomar conta dos nossos familiares mais pobres, mesmo que nos tenham errado.
9. Um crente virtuoso deve casar-se com uma crente virtuosa.
10. Não é admíssivel entrar a casa de alguém sem a sua permissão.
11. Recatar o olhar (evitando olhares luxuriosos) é uma obrigação tanto para os homens quanto para as mulheres.
12. Para a mulher é obrigatório o uso do Hijab exceto em frente aos mahrams e outras mulheres.
13. Se uma mulher for forçada a cometer Zina, então o pecado é sobre aquele que a forçou, e não sobre ela.
14. As crianças devem ser ensinadas a não entrar no quarto dos pais sem a sua permissão.
15. As leis do Hijab são menos rigorosas para as mulheres idosas que já passaram da idade reprodutiva.
Estas são as principais leis ensinadas nesta Surah. Todos o lar muçulmano necessita fazer a questão de estudar Surah Nur e ensinar estas leis às suas famílias.
Por Abu Muawiyah Ismail Kamdar
Fonte: AbuMuawiyah.Com
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Brasil
Tafsir da Surah Al Ikhlass - Da Sinceridade
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
Surah Al Ikhlass (112)
قُلْ هُوَ اللَّهُ أَحَدٌ (1
اللَّهُ الصَّمَدُ (2
لَمْ يَلِدْ وَلَمْ يُولَدْ (3
وَلَمْ يَكُن لَّهُ كُفُواً أَحَدٌ (4
Dize: "Ele é Allah, Único.
Allah é O Solicitado.
Não gerou e nem foi gerado.
E não ha ninguém comparável a Ele.
Absoluta Unicidade de Allah (Monoteísmo)
Este breve capítulo é equivalente a um terço do Alcorão, como confirma a autêntica hadith. Al-Bukhari, o principal estudioso de Hadith, relata um hadith que menciona o caso de alguém que tinha ouvido um outro homem recitando esta surata repetidamente. Ele foi para o Profeta na manhã seguinte e disse-lhe, desaprovando, sobre o que ele tinha ouvido, como se ele sentisse que era muito pouco. O profeta, comentou: "Eu juro por Ele, que tem a minha alma em Sua mão que ela [ou seja, esta surata] é equivalente a um terço do Alcorão". E, de fato, não há nada de surpreendente nisso. Para a unicidade de Allah, o Profeta foi ordenado a declarar para todo o mundo que uma crença estar arraigada em nossa mente, uma explicação da existência humana e um modo de vida em si. A partir desse ponto de vista, a surata pode ser compreendida, com maior clareza dos termos, a principal e mais importante ideia da grande verdade do Islam.
O termo árabe, Ahad, usado aqui para se referir a unicidade de Allah é muito mais preciso do que o termo mais frequentemente utilizado, Wahid, o que significa 'um'. Ahad está agregado a conotações de unicidade absoluta e contínua e uma ausência de iguais.
A Unicidade de Allah é tão grande que não há nenhuma verdade e nehuma existência permanente exceto a d’Ele. Além disso, nenhum outro ser adquire qualquer poder que pode possuir de Allah que governa esse mundo. Nada mais planeja alguma coisa para o mundo, nem, aliás, decide nada nele. Esta crença deverá ser enraizada em nós. Isso nos dá uma explicação completa da existência humana. Uma vez que esta crença é clara e a explicação estabeleceu-se em nossas mentes, nossos corações são purificados de todas as falsidades e impurezas. Eles, os homens, são assim liberados de todas as obrigações, exceto a sua ligação com o Ser Único, a quem só a realidade da existência pertence e que é o único poder eficaz neste mundo. Assim, o coração humano é liberado da escravidão de qualquer coisa nesse mundo, mesmo se não puder esquivar-se a noção de que existem outros seres. Na verdade, por que nossos corações aspirariam qualquer coisa que não tem nem uma realidade permanente, nem qualquer poder independente para funcionar neste mundo? A única existência real é a do Ser Divino e o poder verdadeiramente eficaz é a Vontade Divina.
Quando um coração humano deixa de acreditar em qualquer coisa, mas acredita que a única verdade é a de Allah, e defende esta verdade eternamente, começa a desfrutar de sua liberdade de todos grilhões, falsas ideias, maus desejos, medos e confusões de qualquer espécie. Assim, quando um coração humano encontra Allah, se beneficia muito e não perde nada. Por que deveria temer alguma coisa, uma vez que não há poder absolutamente eficaz, senão o de Allah?
Quando um conceito que não vê nada no mundo, mas a realidade de Allah se estabelece em nossos corações e mentes, começamos a ver essa realidade verdadeira e permanente em tudo o que Ele fez. Isto é, quando o nosso coração sentir a mão de Allah em tudo. Há apenas um nível além desta que é quando o coração não sente nada, mas a realidade de Allah em todo o universo. Assim, é atribuída a cada evento e cada movimento nesta vida e no universo para a primeira e única causa; isto é, Allah, que traz outras causas em jogo e influencia sua eficácia. O Alcorão tem um grande cuidado para estabelecer esta verdade. ele sempre colocou de lado causas aparentes, associando fatos ocorridos diretamente com a vontade de Allah. Ele diz: "Quando você lançou [um punhado de areia] não foi o seu ato, mas de Allah." (8: 17) "A vitória só vem de Allah" (8: 10 e 3: 126). "Você não tem vontade, exceto conforme a vontade de Allah." (76: 30)
Ao desconsiderar todas as causas aparentes e associar assuntos diretamente com a vontade de Allah, um sentimento de alívio penetra suavemente em nossos corações para que reconheçamos o único Salvador a quem podemos pedir tudo o que se pode desejar, e por quem nós somos resgatados de todo o medo. Nós já não somos impressionados com influências aparentes, as razões e as causas que não têm qualquer realidade ou verdadeira existência em si.
Estes são os passos de alguns caminhos místicos, ou sufis, os quais tentaram promover, mas eles se afastaram muito. O Islam quer que as pessoas sigam o caminho lutando com as realidades da vida, e levando uma vida humana na qual eles exercem o papel que Allah tem atribuído aos seres humanos na terra, usando todos os seus recursos e cumprindo todas as obrigações impostas sobre eles.
A partir deste conceito de unicidade de Allah corre o modo de vida com base na explicação da existência humana e todas as perspectivas, sentimentos e traços são estimulados. Esse modo de vida é baseado na adoração de Allah somente, cuja vontade é o único poder eficaz no mundo. Assim, as pessoas procuram refúgio N’Ele em tempos de necessidade e medo, felicidade e desconforto, facilidade e dificuldade. Pois, para que se voltar a um ser inexistente ou impotente? Este modo de vida pertence a Allah sozinho como seu benfeitor. Dele recebemos nossas crenças, perspectivas, valores, critérios, legislação, instituições, sistemas, ética e tradições.
Um modo de vida completo
Assim, o modo de vida completo é formulado, através de como as pessoas realizam todas suas atividades e fazem sacrifícios absolutamente e somente para Allah, esperando sempre estar mais perto da verdade. Esse modo de vida fortalece laços de amor, fraternidade, mútua simpatia e cuidado entre todos os seres e os corações humanos. Pois, quando se fala de libertação da submissão completa a esses sentimentos não estamos sugerindo que as pessoas devem desprezar ou odiá-los ou escapar de praticá-los. Em vez disso,
sugerimos que eles devem sua existência a Ele, o criador Divino. É para nós um presente de Allah que nos ama e a quem amamos. Por isso, Ele merece o nosso amor.
É um sublime e elevado modo de vida que olha para essa terra tão pequena, a vida tão curta, seus prazeres e luxos com pouco valor; e a ruptura com obstáculos como grande objetivo da humanidade. No Islã, entretanto, essa versão não significa reclusão, isolamento e abandono, não significa desprezo ou fugir da vida. Em vez disso, simplesmente significa um esforço contínuo e sincero e uma luta eterna para conduzir a humanidade para a submissão a Allah.
Consequentemente, é o cumprimento do papel do homem como vice-regente de Allah na terra com todas as suas obrigações, como já foi explicado. Libertação da alma através de uma vida de isolamento e de extrema espiritualidade é fácil alcançar, mas o Islam não a aprova, pois, ela quer que seus seguidores sigam o homem e esse papel foi atribuído a ele por Allah que o colocou no comando da terra e forneceu a humanidade a liderança. Esta é a maneira mais difícil a qual garante o homem elevação e alcança a vitória da vontade divina dentro dele. Esta é verdadeira libertação, exortar a alma humana para voar à sua fonte divina e atingir o seu estado sublime no âmbito de Allah, o Criador sábio, que definiu para ele.
Por causa de tudo isso, a primeira direção da mensagem islâmica foi dedicada ao estabelecimento da realidade da unicidade de Deus nos corações e mentes das pessoas. Dessa forma, a mensagem islâmica foi vista pela alma, coração e mente, como uma explicação completa da existência humana, um modo de vida e não apenas uma palavra falada ou uma crença inerte. É a vida e a religião em sua totalidade. Quaisquer que sejam os detalhes mais tarde posto em prática não são mais do que as frutas naturais de sua criação, nos corações e mentes das pessoas.
Todos os desvios que afligiam os seguidores das religiões divinas anteriores, e que corrompido suas crenças, ideias e vidas se levantou, em primeiro lugar, de uma deterioração do conceito de unicidade absoluta de Allah em suas mentes. Mas o que distingue esse conceito na fé islâmica é o fato de que ele está profundamente enraizado em toda a vida humana.
Na verdade, constitui a base de um sistema realista e prático para a vida humana, claramente refletido na legislação e crença.
Para dizer: "Ele é Deus, Único" (verso 1) significa que "Ele é o Eterno, o Absoluto" (verso 2) e que "Ele não gerou, nem foi gerado, e não há nada que possa ser comparado a ele." (versos 3-4) Contudo, o Alcorão afirma tudo em detalhes, para maior ênfase e esclarecimento.
"O Eterno, o Absoluto" também significa que o Senhor, a quem toda a criação se transforma por ajuda,
e sem cuja permissão nada está decidido. Allah é o único Senhor. Ele é o Deus Único e Mestre, enquanto todos os outros seres, são apenas Seus servos. Para ele e Ele somente são direcionadas todas as orações e súplicas. Ele e só Ele decide tudo de forma independente.
"Ele não gerou, nem foi gerado", significa que a realidade de Allah é profundamente enraizada, permanente e eterna. Não há circunstâncias mutáveis ? que possam afetá-lo. Sua qualidade é a perfeição absoluta em todos os momentos. O nascimento é de descida e de multiplicação e implica um desenvolvido após ser incompleto ou nada. Exige adoção que se baseia na semelhança do ser e na estrutura. Tudo isso é absolutamente impossível no caso de Allah. Portanto, a qualidade de 'Único' inclui a renúncia de um pai e um filho.
"Não há nada que possa ser comparado a ele," significa que ninguém se assemelha a Ele em coisa alguma ou é equivalente a ele em qualquer aspecto, quer na sua realidade de ser, no fato de que Ele é o único poder efetivo, ou em qualquer de suas qualidades ou atributos. Isso está implícito na declaração do seu ser 'Único' feito no primeiro verso, que é repetida de certa forma para confirmar sobre esse fato. É uma renúncia ao dois deuses, crença que implica que Allah é o Deus do Bem enquanto o Mal tem o seu próprio senhor que, como a própria fé mostra - está em oposição a Allah, estraga as suas boas obras e propaga o mal na terra. O mais conhecido na crença de dois deuses foi a dos Persas, que acreditavam em um deus da luz e um deus das trevas. Essa crença ficou conhecida entre o povo do sul da Península Arábica, onde os persas certa vez tinham um estado e exerciam a soberania.
Esta Surata firmemente estabelece e confirma a crença islâmica na unicidade de Allah na Surata 109, Os Incrédulos, é uma denúncia de qualquer semelhança ou ponto de encontro entre o conceito islâmico da unicidade de Allah e qualquer crença que atribui forma humana ou de personalidade a Allah. Cada surata mantem-se ligada a unicidade de Allah a partir de um ângulo diferente. O Profeta costumava começar seu dia recitando estes dois capítulos na sunnah, ou oração voluntária antes do amanhecer obrigatório ou oração Fajr. Isto, certamente, era imensamente significativo.
Tradução Aysha Fattima
Fonte: oislam
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Brasil
Tafsir da Surah Al Kafirun - Dos Incrédulos
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
Desencontro dos Caminhos
Embora os árabes antes do Islam não negassem Deus por completo, eles não O conheciam por Sua verdadeira identidade, como o Único e o Eterno. Eles não mostravam qualquer verdadeira compreensão de Allah (سبحانه و تعالى), nem adoravam-nO corretamente. Pelo contrário, atribuíram a Ele, como parceiros, ídolos que deveriam representar os seus grandes e piedosos ancestrais, ou, em alguns casos, os anjos que eles afirmavam ser filhas de Allah (سبحانه و تعالى).
Além disso, alegaram um parentesco entre Allah (سبحانه و تعالى) e os jinn. Muitas vezes eles ignoraram essas qualificações e adoraram os próprios ídolos. Mas, em todos os casos, alegaram, como é citado no Alcorão, que "não os adoramos senão para que eles nos aproximem bem perto de Allah" (39: 3). O Alcorão também afirma: "E se lhes perguntas: ‘quem criou os céus e a terra e submeteu o sol e a lua?’” (29: 61). E mais uma vez: "E, se lhes perguntas: ‘Quem faz descer água do céu, e, com ela, vivifica a terra depois de morta?’” (29: 63). Além disso, Deus substituiu suas divindades em seus juramentos e súplicas .
Mas, apesar de sua crença em Allah, o politeísmo deles os entreteve sujando seus conceitos, tradições e ritos, na medida em que eles atribuíam às suas supostas divindades uma parte de seus ganhos e posses, e até mesmo os seus descendentes. Na verdade, eles eram, por vezes, forçados a sacrificar seus filhos. A respeito disto, o Alcorão tem o seguinte a dizer: Do que Allah tem produzido em abundância, quanto às semeaduras e ao gado, eles Lhe destinam um quinhão, dizem, segundo as suas fantasias: Isto é para Allah e aquilo é para os nossos parceiros! Porém, o que destinaram a seus parceiros jamais chegará a Allah; e o destinado a Allah chegará aos seus (supostos) parceiros. Que péssimo é o que julgam! Todavia, aos olhos da maior parte dos idólatras, seus "parceiros" tomaram fascinante o assassinato de crianças, a fim de os conduzirem à sua própria destruição ; porém, se Allah quisesse, não o teriam feito. Deixa-os, pois, com tudo quanto forjam. Eles dizem que tal e tal gado e que tais semeaduras são proibidos, e ninguém deverá consumi-los, exceto aqueles (assim dizem) que desejarmos; ademais, há animais aos quais estão proibidos a canga e a carga, e sobre os quais (no abate) o nome de Allah não foi invocado; forjam mentiras acerca d’Ele, o Qual os castigará por suas invenções. Dizem ainda: O que há nas entranhas destes animais é lícito exclusivamente para os nossos varões e está vedado ás nossas mulheres; porém, se a cria nascer morta, todos desfrutarão dela! Ele os castigará por seus desatinos, porque é Prudente, Sapientíssimo. São desventurados aqueles que, néscia e estupidamente, matam seus filhos, na sua cega ignorância , e se descartam daquilo com que Allah os agraciou, forjando mentiras a respeito de Allah. Já estão desviados e jamais serão encaminhados” (6: 136-140).
Os árabes também estavam convencidos de que eles eram os seguidores da religião de Abraão e que eram mais bem guiados que o povo que havia recebido as revelações anteriores [ou seja, sou judeus e cristãos] que habitavam a Península Arábica no momento: os judeus e os cristãos pregavam, respectivamente, que Esdras e Jesus foram os filhos de Allah (سبحانه و تعالى) enquanto eles, os árabes, adoravam anjos e gênios – e os consideravam a verdadeira descendência de Allah (سبحانه و تعالى). Sua crença era mais lógica e concebível que a dos cristãos e judeus. No entanto, todos praticavam uma forma de idolatria. Quando Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declarou que sua religião era a mesma de Abraão, eles argumentaram que não havia razão para que abandonassem suas crenças e seguissem Muhammad, já que eram da mesma religião. Nesse meio tempo, eles buscaram uma espécie de compromisso com o Profeta Muhammad, propondo que ele se prostrasse diante de suas divindades em troca da prostração deles ao seu Deus, e que ele deixasse de denunciar suas divindades e forma de culto em retribuição a tudo o que lhes fora exigido! Essa confusão em seus conceitos, vividamente ilustrada pela adoração a várias divindades, embora reconhecendo Allah (سبحانه و تعالى), foi, talvez, o que os levou a acreditar que o abismo entre eles e Muhammad não era intransponível. Eles pensaram que um acordo era, de alguma forma, possível, permitindo que os dois campos coexistissem na região concedendo-lhe algumas concessões pessoais!
Para esclarecer essa confusão, cortando todos os argumentos superficiais e distinguir firmemente entre uma forma de adoração e outra, e de fato entre uma fé e outra, este capítulo foi revelado em um tom tão decisivo, assertivo. Foi revelado desta forma a distinguir o monoteísmo, Tawhid, do politeísmo, shirk, e estabelecer um verdadeiro critério, não permitindo mais nenhuma disputa ou argumentos vãos. "Dize: Ó Renegadores da fé! Não adoro o que adorais. Nem estais adorando o que adoro. Nem adorarei o que adorastes. Nem adorareis o que adoro. A vós, vossa religião, e, a mim, minha religião” (Versículos 1-6). Após uma forma de negação, então a afirmação e a ênfase; o capítulo define sua mensagem com clareza absoluta. Ela começa com a palavra, "Dize", o que denota uma ordem divina clara, ressaltando o fato de que toda a questão da religião pertence exclusivamente a Deus. Nada disso pertence ao próprio Profeta Muhammad, saws. Além disso, implica que Deus é o Único capaz de ordenar e decidir. Aborde-os, Muhammad, por sua real e verdadeira identidade: "Dize: Ó Renegadores da fé" (Versículo 1). Eles não seguem nenhuma religião prescrita, nem acreditam em ti.
Não há ponto de encontro existente entre tu e eles, em qualquer lugar. Assim, o início da Surah traz à mente a realidade da diferença que não pode ser ignorada ou esquecida. "não adoro o que adorais," é uma declaração confirmada por "nem adorarei o que adorastes". Da mesma forma, "nem estais adorando o que adoro" é repetido para enfatizar e eliminar qualquer dúvida ou má interpretação. Finalmente, todo o argumento é resumido no último verso: "A vós, vossa religião, e, a mim, minha religião", o que significa que, incrédulos, e eu, Muhammad, estamos muito distantes um do outro, sem qualquer ponte que nos conecte. Esta é uma distinção completa e, uma demarcação precisa e inteligível. Tal atitude foi essencial, então, a fim de expor a fundamental discrepância na sua essência, fonte e conceitos das duas crenças, ou seja, entre monoteísmo e politeísmo, entre a fé e a incredulidade. A fé é o modo de vida que orienta o homem e o mundo inteiro somente a Deus Único e determina a fonte da religião, das leis, dos valores, dos critérios, da ética e da moralidade. Essa fonte é Deus. Assim, a vida continua para o crente, desprovida de qualquer forma de idolatria. Idolatria por outro lado é o oposto da fé. Fé e idolatria nunca se encontram.
No conjunto, a distinção que estamos tratando aqui é indispensável tanto para aqueles que chamam as pessoas a aceitar o Islam, quanto às próprias pessoas, pois conceitos da Jahiliyyah são, muitas vezes, misturados ao Islam nas sociedades que anteriormente seguiam o modo de vida islâmico e, posteriormente, desviaram-se. Dentre todas as comunidades, estas são certamente as mais rígidas e hostis à ideia de recuperar a fé em sua forma saudável, clara e direta, certamente mais do que aquelas que não conheceram o Islam originalmente. Elas consideram-se certas e justas, ao passo que cresceram mais e mais perversas!
A existência de crenças e pensamentos nobres nessas sociedades, ainda que maculados, pode levar o defensor do sistema islâmico à esperança de um rápido retorno, pensando que seria capaz de fortalecer esses bons aspectos e corrigir essas características indesejáveis! Essa tentação é, no entanto, perigosamente enganosa. A Jahiliyyah e o islam são duas entidades completamente diferentes, separadas por um grande abismo. A única forma de superar esse abismo é a Jahiliyyah se destruir completamente e substituir todas as suas leis, valores, normas e conceitos aos seus homólogos islâmicos.
O primeiro passo que o da’i (quem convida ao Islam) deve ser tomar, neste sentido, é isolar-se da Jahiliyyah. Ele deve se separar absolutamente, pois qualquer acordo ou relação entre ele e Jahiliyyah é impossível, a menos ou até que o povo de Jahiliyyah abrace o Islam completamente: nenhum entrelaçamento, relações ou conciliações são permitidos. No entanto, a oportunista Jahiliyyah pode usurpar o papel do Islam. A principal característica de uma pessoa que convida os outros a adotarem o Islam é a clareza desse fato dentro de si mesmo e sua convicção solene de ser diametralmente oposto àqueles que não compartilham sua visão. Eles têm a sua própria religião, e ele tem a dele. Sua tarefa é mudar o ponto de equilíbrio dos outros para que possam seguir o seu caminho, sem falsa pretensão ou compromisso. Caso contrário, ele deve se retirar completamente, desligar-se de sua vida e abertamente declarar-lhes: "A vós, vossa religião, e, a mim, minha religião” (versículo 6).
Esta é uma condição sine qua non para os defensores contemporâneos do Islam. Eles precisam urgentemente perceber que estão chamando para o Islam hoje em um ambiente inteiramente “neo-Jahiliyyah”, entre ex-muçulmanos cujos corações têm endurecido mais e mais, e cujas crenças se deterioraram consideravelmente. Precisam entender que não há espaço para curto prazo ou soluções ou compromissos paliativos e resgates ou ajustes parciais. Seu chamado é para um único e singular Islam, em contraste com a velha concepção de tais pessoas. Devem enfrentar essas pessoas bravamente e colocar explicitamente: “você tem sua própria religião, e nós temos a nosso”. Nossa religião é baseada no monoteísmo absoluto cujos conceitos, valores, crenças e leis abrangem todos os aspectos da vida humana e todos são oriundos de Deus e mais ninguém.
Sem essa separação básica e confusa, a dupla negociação, a dúvida e a distorção certamente persistem. E que fique claro em nossas mentes que o movimento que defende o Islam nunca pode ser construído sobre fundações ambíguas ou fracas, mas deve ser construído em cima de firmeza, clareza e franqueza, conforme constam da instrução de Deus ao declarar: "A vós, vossa religião, e, a mim, a minha religião" (versículo 6). Essa foi a forma adotada pela mensagem islâmica, nos seus primeiros dias.
Fonte: oislam.org
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O Contexto dos Versículos de Jihad - Tafsir
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
As Surahs de Jihad
As próximas duas Surahs são a Surah Al-Anfaal e a Surah At-Tawbah. Estas duas são comumente conhecidas como as Surahs de Jihad e o seu tema é bem conhecido. Elas giram em torno das lições e leis relacionadas às batalhas chave na vida do Profeta (sallallahu ‘alayhi wa sallam). O contexto dos versículos de Jihad devem ser compreendidas, e é nisso que nos focaremos aqui.
A Surah Al-Anfaal foi revelada pouco tempo depois da primeira grande Batalha no Islam, a Batalha de Badr, que também teve lugar no Ramadan. Após 15 anos de opressão às mãos dos Quraysh, os muçulmanos encontraram-se enfrentando os seus opressores numa batalha inesperada. Os muçulmanos estavam numa forte desvantagem numérica e mal preparados para o combate. Contudo, com a ajuda de Allah, venceram decisivamente, e os líderes tiranos de Makkah foram todos mortos em batalha.
Esta batalha marcou o começo de uma nova fase na História Islâmica. Os muçulmanos não eram mais uma minoria oprimida que não se podia defender. Eram agora a sua própria comunidade e possuíam os meios e a capacidade para lutar contra opressão e permaneceram vitoriosos. A Surah é melhor compreendida no contexto desta batalha e nas suas consequências.
De forma semelhante, a Surah At-Tawbah foi revelada ao longo de múltiplas ocasiões, nomeadamente a Batalha de Tabook e antes da conquista de Makkah. É importante notar que a Batalha de Tabook não foi realmente uma batalha, já que nenhuma luta teve lugar.
O Profeta (sallallahu ‘alayhi wa sallam) saiu com os seus companheiros para enfrentar os Romanos em Tabook. O Romanos então decidiram não comparecer. Esta batalha foi mais um teste de forma a mostrar quem estava disposto a deixar Madinah e a viajar para uma terra distante a fim de lutar contra uma superpotência em defesa do Islam.
A última metade da Surah At-Taubah centraliza-se nos eventos em volta de Tabook e nos incidentes que tiveram lugar durante e após esta jornada, assim como as lições de todos estes. Muitos dos versículos desta Surah podem somente ser compreendidas corretamente à luz destas histórias e eventos.
O início da Surah At-Taubah é uma declaração de guerra de Deus contra os pagãos de Makkah. É importante entender estes versículos no seu contexto. Os muçulmanos de Madinah haviam assinado um tratado de paz de dez anos com os pagãos de Makkah, o qual foi violado por alguns pagãos. Em resposta a essa violação, Deus declarou guerra ao povo de Makkah e ordenou o Profeta (sallallahu ‘alayhi wa sallam) e os seus companheiros lutarem contra eles.
O que se seguiu foi a conquista de Makkah, que em sua maior parte foi um período sem derramamento de sangue, visto que o Profeta (sallallahu ‘alayhi wa sallam) conquistou Makkah com mínima luta, e perdoou os seus inimigos pelos crimes contra ele. Este episódio marcou o início de Makkah como a terra do Islam, o que permanece até aos dias de hoje.
O Contexto dos Versículos de Jihad
É crucial que os versículos destas duas Surahs sejam compreendidas dentro do contexto correto. Elas Surahs falam muito sobre guerra, morte, e conquista. Estes versículos têm sido usados fora do seu contexto tanto por islamófobos assim como por extremistas para pintar a ideia de que os muçulmanos deveriam sempre lutar contra os não-muçulmanos, ou de que é um dever Islâmico matar os descrentes. Esta ideia é completamente absurda e não possui nenhuma base no Islam.
Estes versículos foram revelados em eventos específicos e o Profeta (sallalahu ‘alayhi wa sallam) e os seus companheiros nunca os entederam como uma “regra cobertor” para matar os descrentes. Foi um versículo específico ao contexto de guerra e foi dessa forma que o entenderam.
As evidências para isto são muitas e incluem as seguintes:
1. O ‘versículo da espada’, como as pessoas gostam de o chamar, o qual foi revelado no início da Surah At-Taubah levou à conquista de Makkah, que foi um perdão em massa, e não massacres. Claramente mostrando que não foi concebido da forma que algumas pessoas o interpretam hoje.
2. O Profeta (sallallahu ‘alayhi wa sallam) formulou regras de combate estritas para Jihad, que incluem a proibição de matar mulheres, crianças, não-combatentes e monges. Após a sua morte, estas leis foram mantidas por líderes muçulmanos virtuosos.
3. Os companheiros do Profeta Muhammad (sallallahu ‘alayhi wa sallam) depois do seu tempo, conquistaram muitos países, mas deixaram os habitantes locais seguirem as suas próprias religiões, e apenas pregaram-nos o Islam.
4. Os muçulmanos chegaram a governar terras tão distantes e diversas como Espanha e Índia, mas ainda assim foi permitida total liberdade religiosa aos habitantes locais. Isto aplicou-se a todas as religiões, incluindo o Judaísmo, o Cristianismo, o Budismo, o Hinduísmo, e o Zoroastrismo. É por este motivo que muitas destas terras ainda continuam a ter uma população de maioria não muçulmana.
Para todo aquele que estudou estes versículos dentro do seu contexto, o significado é bastante claro. Os muçulmanos hoje em dia, a nossa grande maioria, não considera estes versículos como um incentivo à violência. Eles foram revelados num contexto particular, e também aplicam-se apenas em tais contextos. Mesmo quando aplicadas, as leis de Jihad e liberdade religiosa para os não-muçulmanos mencionadas acima aplicam-se.
Atualmente, existem mais de um bilhão de muçulmanos no mundo, e 99.9% de nós acreditam que o nosso dever perante os não-muçulmanos é de convite, e não de guerra. Se não acredita em mim, apenas pergunte ao seu vizinho muçulmano.
Por Abu Muawiyah Ismail Kamdar
Fonte: AbuMuawiyah.Com
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sexta-feira, 8 de junho de 2018
Surata Al Imran (A Família de Imran), versículos 110-115
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Louvado seja Allah, e que a bênção e a paz estejam com o nosso Profeta Muhammad, com os seus familiares, e com todos os seus companheiros.
No inicio lemos a recitação do versículo 110 da surata Al-Imran:
كنتم خير أمة أخرجت للناس تأمرون بالمعروف وتنهون عن المنكر وتؤمنون بالله ولو آمن أهل الكتاب لكان خيرا لهم منهم المؤمنون وأكثرهم الفاسقون
Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Allah. Se os adeptos do Livro cressem, melhor seria para eles. Entre eles há crentes; porém, a sua maioria é depravada. (110)
A maioria das pessoas imagina que a religião é uma série de mandatos e rituais rígidas em relação à pessoa com o Deus. Portanto, se limitam a religião somente a oração, a jejum e ao Alcorão, enquanto, os principais mandatos divinos dizem respeito à dimensão social do homem ou a manutenção de relações melhores com outros membros da comunidade, inclusive do ponto de vista religioso, a oração tem mais valor quando for realizado coletivamente e com outros muçulmanos e como um todo e não individualmente.
Um dos mais importantes programas religiosos para proteger a comunidade humana de qualquer maldade ou impureza é o dever de encorajar ao bem e proibir os maus ou os ilícitos.
Tal como definimos nas publicações anteriores, este dever é realizado em duas etapas, um por um grupo especial responsável pela supervisão das condutas sociais e seu controle; esta etapa foi definida no versículo 104 desta mesma surata e o segundo estágio como um dever publica e cívico, é uma responsabilidade de todos os muçulmanos e neste versículo se refere a isso.
Esses mandatos divinos mostram que o homem não é apenas responsável por sua melhoria, como também é responsável pela melhoria e o desenvolvimento da comunidade e, por compaixão, deve tentar aumentar as boas ações e remover os ilícitos e se fosse assim, surgirão as melhores nações e como modelo adequado podem se oferecer a outras comunidades humanas.
A partir desses versículos, aprendemos isso:
1- Aconselhar ao bem sem combater às maldades não tem tantos resultados benéficos, é por isso que, juntamente com a encorajar a bem, foi proposto a fazer proibir o mal.
2- Aconselhar aos outros, não depende da idade, de habilidade ou a riqueza e da posição. Cada muçulmano tem o direito de ordenar ao bem e proibir do mal aos outros muçulmanos, em qualquer posição que ele ocupe.
3- Um dos critérios da superioridade e a seleção de pessoa é o dever de ordenar o bem e proibir o mal. Uma pessoa pode assumir a responsabilidade da comunidade que seja benevolente e compassivo.
4- Para ser a melhor nação se exige a fé e a pratica e que a pratica deve ser no caminho da melhoria da comunidade e não somente como realização de deveres individuais.
Agora lemos os versículos 111 e 112 da surata da família Imran:
لن يضروكم إلا أذى وإن يقاتلوكم يولوكم الأدبار ثم لا ينصرون
Porém, não poderão causar-vos mal algum; e caso viessem a vos combater, bateriam em retirada e jamais seriam socorridos. (111)
ضربت عليهم الذلة أين ما ثقفوا إلا بحبل من الله وحبل من الناس وباءوا بغضب من الله وضربت عليهم المسكنة ذلك بأنهم كانوا يكفرون بآيات الله ويقتلون الأنبياء بغير حق ذلك بما عصوا وكانوا يعتدون
A vergonha estará sobre eles onde se encontrarem, a menos que se apeguem ao vínculo com Allah e ao vínculo com o homem. E incorreram na abominação de Allah e foram condenados à destituição, por terem negado os Seus versículos e assassinado iniquamente os profetas, bem como por terem desobedecido e transgredido os limites divinos. (112)
Esses versículos são anúncios para os muçulmanos que resistam na sua fé e que com a união e a colaboração se esforçam para melhorar a comunidade através de ordenar o bem e proibir o mal.
Estarão seguros ante o inimigo e jamais um perigo os ameaçará, ao contrario, esse inimigo se tornou humilde diante de você. Estes versículos que se revelaram sobre a tribo judaica, são uma das previsões do Alcorão que foram concretizadas ao longo da história, uma vez que esta tribo sempre foi mesquinha e nunca teve popularidade, honra e virtude.
Mesmo hoje, que também a economia e a propaganda do mundo estão controladas por judeus ricos, nenhum país independente do mundo se governa com base na escola judaica e o Israel é também um regime usurpador, que sempre foi odiado por todos os povos e tal como um ladrão ou um criminoso que cria o temor no coração do povo e, às vezes, ganha uma renda imensa, mas nunca desfruta de um lugar elevado e continuando desprezível pelo povo.
A partir desses versículos, aprendemos isso:
A fé em Allah (سبحانه و تعالى) é uma força firme que impede a penetração do inimigo e é a fonte para o seu fracasso.
O segredo da honra e dignidade é duas coisas; uma é a forte relação com Allah (سبحانه و تعالى), e a outra é o bom relacionamento com o povo, se vincular com estes esses dois pactos, nenhuma força tem o poder de penetrar na comunidade.
O pecado e a agressão são grandes fatores de humilhação e aflição.
Agora lemos os versículos 113, 114 e 115 da sura da Família Imran:
ليسوا سواء من أهل الكتاب أمة قائمة يتلون آيات الله آناء الليل وهم يسجدون
Os adeptos do Livro não são todos iguais: entre eles há uma comunidade justiceira, cujos membros recitam os versículos de Allah, durante a noite, e se prostram ante o seu Senhor, (113).
يؤمنون بالله واليوم الآخر ويأمرون بالمعروف وينهون عن المنكر ويسارعون في الخيرات وأولئك من الصالحين
Crêem em Allah e no Dia do Juízo Final, aconselham o bem e proíbem o ilícito, e se emulam nas boas ações. Esses contar-se-ão entre os virtuosos. (114)
وما يفعلوا من خير فلن يكفروه والله عليم بالمتقين
Todo o bem que façam jamais lhes será desmerecido, porque Allah bem conhece os piedosos. (115)
Após os versículos anteriores que descreveram as tramas e os planos de um grupo adeptos de Livro para desviar os crentes, esses versículos se referem a benfeitores e virtuosos seguidores do Livro e dizem: Não imagine que todos sejam iguais, mas a maioria deles também a semelhança dos muçulmanos faz adoração a Allah (سبحانه و تعالى) e prostrado à meia-noite, eles acreditam em Allah (سبحانه و تعالى) e no juízo final, e também querem promover a bondade e desejam remover a maldade e são pioneiros na realização de bons atos em sua comunidade.
É natural que Allah (سبحانه و تعالى) não ignore as boas ações de tais pessoas, ele receberão a misericórdia e benções de Allah (سبحانه و تعالى), já que a fé e a boa ação seja de quem for, são aceitas por Allah (سبحانه و تعالى).
Esta visão do Alcorão face aos adeptos do livro e o método justo em encarar com eles deve ser uma lição e um padrão para os muçulmanos no modo de conduta concernente aos não-muçulmanos.
Se nós, como este livro celestial, fossemos justos e equitativos, nosso comportamento marcaria a melhor forma de atrair os outros para o Islam e não eram necessárias muitas propagandas.
A partir desses versículos, aprendemos isso:
1- É melhor aceitar os bons atos e a perfeição de cada pessoa que vimos e, então, confessá-los apenas com a crítica de outros, não devemos ignorar suas boas ações.
2- À noite, quando as pessoas estão dormindo, é o momento certo para conversar com Allah (سبحانه و تعالى) e orar.
3- Ordenar o bem e proibir o mal também existem em outras religiões e não pertence apenas a nós muçulmanos. Tanto a conversa com Allah (سبحانه و تعالى) durante a noite quanto à oração individual são necessárias, além de aconselhar para o bem e proibir o mal em uma base diária para o melhoramento dos assuntos da comunidade.
4- O Alcorão Sagrado deu prioridade a “aconselhar ao bem que proibir o ruim”, porque se as portas da bondade forem abertas às pessoas, eles fecharão o caminho ao ilícito.
5- A veracidade dos bons atos aumentará o seu valor, porque é melhor ser um pioneiro na realização do bem.
E Allah (سبحانه و تعالى) Sabe Mais
Fonte: parstoday . com
Local:
Brasil
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